Tudo começou com um voo de 12 horas de Madrid a Buenos Aires. Chegámos algo cansados da viagem e já perto das 21h. No controlo de passaportes encontrámos o David Ferrer, que viajava com a sua namorada e o seu preparador físico e tinha viajado no mesmo avião. Aos cumprimentos seguiu-se uma tentativa de encontrar as malas, até que eu e o João acabámos por sair primeiro – como de costume nos torneios ATP, a organização vai sempre buscar os atletas do quadro principal.
À saída não encontrámos ninguém. Pensámos que estariam atrasados, mas como sabíamos que o David ainda estava dentro do aeroporto esperámos porque de certeza que não se iam esquecer do cabeça de cartaz do torneio. No entanto, ele saiu e aconteceu-lhe o mesmo, não tinha ninguém à espera. Havia imensas pessoas a pedir-lhe fotografias, outras nem sabiam quem era – para dizer a verdade, se isto chega a acontecer ao Nadal que é muito mais conhecido não sei como é que ia acabar.
Tentámos telefonar para a organização e restantes números que tínhamos do torneio mas ninguém atendia, tentámos apanhar um taxi mas era preciso aguardarmos uma hora. Não tínhamos qualquer solução a não ser esperar, ou pelo táxi ou pela organização. Depois de muito tempo à espera e entre algumas fotografias e autógrafos, um rapaz aproximou-se do David, cumprimentou-o e desculpou-se com o enorme trânsito em que ficou preso. Não podíamos acreditar, praticamente não houve uma justificação. Foi uma situação muito engraçada logo à chegada mas que podia ter acabado menos bem.
Como o torneio tem dois hotéis oficiais, não sabiam onde tinham de levar o David [Ferrer], que, já cansado, andou muito tempo às voltas até poder descansar. Nós, felizmente, tínhamos a reserva e sabíamos para onde ir mas o que conta é que até ao dia de hoje ele ainda está em prova no torneio. Isto é uma demonstração de que por vezes os grandes jogadores também são tratados de uma maneira banal. Todos somos humanos.
O João esta semana treinou com jogadores como o Tommy Robredo, Pablo Carreno Busta, Horacio Zeballos, e teve o prazer de jogar pares com o André Sá, ex-quarto finalista de Wimbledon, conseguindo assim aprender imenso com um grande especialista.