O ténis tem destas coisas. De um momento para outro, uma batalha interessante entre jogadoras que tantos sacrifícios fizeram para conseguir estar em luta por um lugar na final de um Grand Slam pode ser dada como terminada por situações menos celebradas. No início da tarde desta sexta-feira em Nova Iorque, numa fase em que Caroline Wozniacki já dominava a partida, Shuai Peng foi forçada a desistir devido a problemas físicos que a fizeram abandonar o court numa cadeira de rodas. Foi o adeus ao sonho de uma forma que, reconheça-se, ninguém merece.
A história de Shuai Peng deixa qualquer um sensibilizado: ultrapassou uma operação ao coração com doze anos de idade, superou a pressão dos seus compatriotas pouco depois de se tornar na primeira tenista chinesa da história — frise-se, história — a alcançar o primeiro lugar de uma das hierarquias mundiais e vinha superando todos os problemas físicos de que é alvo para se colocar na sua primeira meia-final de singulares em Majors. Hoje, o seu corpo voltou a ser atormentado por fortes cãibras que a levaram a um medical timeout e, inevitavelmente, à desistência: o placar marcava 7-6(1) 4-3 a favor de Caroline Wozniacki.
Desde o início, o encontro provou ser um verdadeiro ‘tira teimas’ para ambas as atletas, que conseguiram superar trocas de bolas inacreditáveis rumo a um tiebreak. Depois de todo o equilíbrio verificado, não poderia ser outro o desfecho. Da mesma forma que superou o desempate no parcial inaugural, Caroline parecia encaminhada para uma boa recuperação no segundo set (de 0-2 para 4-2), mas a determinada altura os problemas físicos assombraram Peng e não mais se jogou em condições.
Cadeira de rodas. Foi este o pano de fundo final de uma ‘corrida’ que parecia de sonho para Shuai Peng e só Wozniacki sabe o que foi sentir tantas dores em campo — em 2009, recorde-se, a dinamarquesa recuperou de cenas inacreditáveis para ainda vencer Zvonareva no Masters. Aplaudida pelo público e pela adversária, Peng abandonou então o Artur Ashe na sombra da desilusão. Não o merecia, como aliás ninguém merece.
Do outro lado da rede estava uma Wozniacki também ela desolada pelo que em campo se passou. Prova disso foi a prova como a dinamarquesa de vinte e quatro anos evitou a celebração. No entanto, e porque para o registo ficará sempre a chegada à última etapa do US Open, ‘Miss Sunshine’ está agora apurada para a segunda final da sua carreira em torneios desta categoria. Curiosamente, cinco anos depois. A próxima adversária? A vencedora do embate entre Serena Williams e Ekaterina Makarova.