Sexta-feira, 15h. Mais uma em Espanha, mas era em Portugal (Continental e nas ilhas) que recaía maior atenção para o encontro dos quartos de final de singulares do Mutua Madrid Open, histórico para o ténis nacional e João Sousa. Depois de um primeiro set ‘ausente’, o português bateu-se de igual para igual com Rafael Nadal, desafiou-o e chegou a permitir que se sonhasse com uma vitória que seria histórica perante o ‘rei’ da terra batida. Não aconteceu, mas ficam a grande batalha (6-0 4-6 6-3, em mais de duas horas) e os registos superados esta semana.
Vindo de vitórias frente a Nicolas Mahut, Marcel Granollers e Jack Sock, João Sousa defrontou o maiorquino pela segunda vez na carreira (perdera por 6-1 6-0 nos quartos de final do Rio Open, em 2014) e se o início deu indícios de que o desequilíbrio do encontro em terras brasileiras se podia repetir, com a chegada do segundo set a perspetiva alterou-se. Pelo segundo dia consecutivo, Sousa viu a cobertura ser ‘chamada’ a intervir e as condições jogaram a seu favor num momento em que começava a ser mais competitivo.
Sob o olhar atento de Cristiano Ronaldo, um amigo dos dois mas hoje certamente mais inclinado para o lado do seu compatriota, bem como das duas famílias — que aderiram em massa ao duelo ibérico no Court Manolo Santana –, João Sousa venceu um, depois outro e outro jogo para ter uma palavra a dizer. Disputou de igual para igual os pontos perante o maiorquino que a dada altura se pôde dar ao luxo de pensar nas ‘meias’ e ganhou terreno. Ponto a ponto, com garra, sempre muita garra e todo aquele querer que lhe são característicos.
Já com um set no bolso, o português de 27 anos, que com a vitória nos oitavos de final já tinha assegurada a entrada no top 30 mundial (é o primeiro representante nacional a fazê-lo), soltou o seu jogo e entrou sólido no parcial decisivo. Não havia margem de manobra e os indícios dados nos primeiros jogos foram bons, mas uma redução na colocação de primeiras bolas a 3-4 deu uma janela de oportunidade a Nadal que o espanhol não desperdiçou. E foi o típico caso em que uma quebra de serviço fez a diferença, dado que na condição de servir para fechar o favorito do público confirmou o apuramento para as meias-finais.
Apesar da derrota no encontro desta sexta-feira, que se traduziu nos seus primeiros quartos de final em torneios ATP Masters 1000 (só Fred Gil havia alcançado tal fase de um torneio tão importante, em Monte Carlo, no ano de 2011), João Sousa sai de Madrid com uma das melhores semanas da sua carreira e a subida ao 30.º posto do ranking mundial ATP garantida. É mais um marco histórico para o ténis português.