Será que estão a treinar da forma certa?

Todos os desportos podem ser divididos em duas categorias quando falamos nas dimensões das suas habilidades: abertos ou fechados.

Um desporto onde as habilidades são fechadas, estas são executadas em ambiente previsível ou parado e permite que os intervenientes planeiem os seus movimentos com antecedência sem interferência exterior. (Ex: Natação pura, halterofilismo, etc).

Já os desportos onde as habilidades são abertas como é o caso do ténis, elas são executadas num ambiente imprevisível ou que está em constante transformação, e que requer que os intervenientes adaptem os seus movimentos em resposta às propriedades dinâmicas do ambiente.

Basicamente estamos sempre dependentes da acção do nosso adversário para executarmos a nossa acção.

Por isso, no ténis, como desporto de carácter aberto, passamos por 4 fases:

1. Percepção
2. Tomada de decisão
3. Acção
4. Feedback

Um grande desafio na minha opinião é que apesar da excelente mudança para o material adaptado (bolas, raquetes, campos), que permite desde cedo que os jogadores trabalhem as habilidades que fazem deste desporto aberto (percepção e tomada de decisão), ainda se treina muito com base apenas na acção.

Durante um encontro um jogador toma, em média, entre 800 a 1200 tomadas de decisão. Porque não treinar isto logo a partir das primeiras etapas de formação?

Quando realizamos exercícios fechados, essencialmente, estamos a trabalhar apenas a parte da acção, o ambiente está controlado, deixando a percepção e tomada de decisão de fora. Não tirando mérito a este tipo de trabalho, até porque é um trabalho necessário, acho que deveria ser trabalhado como um meio para atingir um fim, e não apenas como um fim em si mesmo.

Deixo um pequeno excerto acerca deste tema:
“Primeiro lançamos bolas à mão, depois com a raquete, dizemos exactamente para onde a bola vai, até esvaziarmos lentamente o cesto de bolas (e no fim temos a sensação de dever cumprido). Depois disso fazemos uns exercícios de consistência. Muitas bolas cruzadas, algumas ao longo. E assim as coisas estão “controladas”, correm bem, sentimo-nos bons treinadores, os jogadores ficam contentes. Os pais veem que os seus filhos conseguem fazer alguma coisa de forma consistente. É um cenário muito bom! Onde infelizmente vivem bastantes escolas de ténis.”

Mesmo que seja de forma construtiva penso que não se deve criticar sem dar as respectivas “soluções” e por isso num próximo artigo irei escrever sobre a solução que a ITF nos deu à algum tempo para esta problemática, a utilização da metodologia Game Based Aproach.

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