A jogar, em Estugarda, o primeiro torneio dos últimos dois meses e meio, Roger Federer sofreu para vencer na estreia e entretanto já garantiu o apuramento para as meias-finais. Mas a estadia do suíço na localidade germânica não se faz apenas de ação na relva e esta semana o jornal Blick publica uma extensa entrevista na qual o tenista fala, entre outros assuntos, das críticas de que tem sido alvo por ter optado por não jogar em terra batida nos últimos anos.
Se Guy Forget, o diretor de Roland Garros, lamentou a ausência do número 2 mundial do torneio pela terceira vez consecutiva, Ion Tiriac, o diretor do Masters 1000 de Madrid, disse que Federer “não se comportou de forma correta” e adotou uma “atitude injusta” ao optar por não jogar qualquer torneio em terra batida.
Sobre essas críticas, Roger Federer tem a dizer que “há liberdade de expressão e qualquer um pode dizer o que quiser, mas eu não concordo com aqueles que dizem que eu simplesmente devia jogar. Tenho padrões elevados e também quero que as pessoas vejam o melhor Roger Federer na terra batida, mas preciso de preparação para me manter a par de toda a gente no circuito e às vezes as pessoas esquecem-se de que não é assim tão fácil.”
“Estou no circuito há quase 20 anos e joguei temporadas completas, entre janeiro e novembro, durante 17. Não foi como o Lleyton Hewitt ou o Andy Roddick, que falharam algumas porque eram demasiado longas”, continuou, antes de frisar: “A minha lesão tornou claro que se quero continuar no circuito tenho de fazer pausas. Entendo a frustração de alguns diretores de torneios, mesmo aqueles por quem eu já fiz muito, mas também acho que me podiam proteger e dizer ‘o Roger é livre de decidir’. Acho que às vezes as críticas vão um bocadinho longe demais.”
A temporada de 2016 foi a primeira que Roger Federer não disputou do início ao fim: nesse ano, intercaladas com as meias-finais em Melbourne e Londres, o suíço desistiu de Roland Garros (onde já não joga desde 2015) e o US Open, tendo voltado depois de seis meses com a histórica vitória no Australian Open de 2017.