Tiago Cação vai “continuar na luta” com a bagagem de ensinamentos da primeira vida

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Tiago Cação está numa espécie de segunda carreira e na primeira vida como tenista chegou a integrar o top 400 ATP e atingir oito finais ITF. Em 2022, surpreendeu ao colocar um ponto final na carreira, mas a surpresa foi tão grande ou maior quando cerca de três anos depois voltou aos courts. No regresso, alcançou de imediato as meias-finais em Idanha-a-Nova, um triunfo no ATP Challenger Tour e ainda mais uns quartos de final e outra semifinal nesses seis meses de competição. 2026 não começou bem, mas a crença e a motivação não saíram beliscados.

Este domingo, o português, natural de Peniche, saiu derrotado no Indoor Oeiras Open 2 para somar o quarto desaire da temporada ao cabo de quatro duelos disputados. Ainda assim, diz estar “contente” com o nível apresentado, sobretudo quando troca bolas no fundo do campo. O calcanhar de Aquiles, analisou em conferência de imprensa, está “nos inícios de jogada”. “Tenho de trabalhar mais o serviço e a resposta”, confessou.

Sem metas concretas para 2026, neste que tenciona ser o primeiro completo de carreira desde 2021, Tiago Cação tem noção dos erros do passado, agora, lembrados para servir de exemplo. “O objetivo principal é sempre desfrutar do que estou a fazer. E estou a conseguir fazê-lo. Estou a gostar de estar a treinar, de competir, estou a gostar deste estilo de vida. Isso claro que traz pressão, porque estando a treinar bem, quero ganhar. Tenho objetivos de me afirmar no circuito. Mas estou feliz com estes primeiros meses, fiz perto de 30 pontos e agora é continuar na luta. Quero pontuar nesta primeira metade do ano porque não defendo nada. Queria ter pontuado aqui, mas vêm aí mais oportunidades. Não faltam encontros para ganhar”.

Essas oportunidades passam, de imediato, pelos torneios ITF no sul do país. E ainda antes disso por uma prova UTR também no Algarve, numa categoria onde tem sido feliz neste regresso. “Preciso de jogos, de rodagem, para chegar a momentos mais importantes e não duvidar tanto. É a jogar que melhoro. Estou a treinar bem, mas chego à pressão do jogo e duvido um pouco mais”.

Esta perspetiva mais virada para o processo e para a felicidade pessoal tem como base os últimos da primeira carreira. E o antigo 394.º ATP abriu o jogo para explicar a nova cara. “Quando era top 400, 500, sentia que era mau [ranking]. Criei expetativas e vieram anos difíceis, anos de mudanças de pontos, depois covid…senti que todos os objetivos que tinha estavam a ser interrompidos e senti-me azarado e injustiçado. Não estava a conseguir desfrutar do que estava a fazer, não gostava de treinar nem jogar. Se fosse hoje, dir-me-ia para aceitar estar a 500, não era assim tão mau e não são assim tantos que o conseguem. E depois a partir daí trabalharia para a frente. Agora estou a tentar que isso não aconteça, que os maus pensamentos não fiquem muito tempo comigo”.

De energias renovadas, Tiago Cação parte com confiança para a competitividade do circuito masculino neste primeiro ano de retorno como tenista profissional a tempo inteiro. Tem contas a ajustar com o passado e vai persegui-las, desde que tenha sempre o amor pela profissão bem presente.

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