Rodesch saiu do Jamor na “melhor forma” da carreira e pronto para o estrelato

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS — Chris Rodesch está lançado e saiu da dupla edição do Indoor Oeiras Open com dois troféus Challenger na bagagem e o melhor ranking de carreira. Um cenário difícil de imaginar quando em 2019 lhe foi diagnosticada uma doença rara e que podia ter sido fatal para o sonho de ser profissional de ténis.

Filho de um internacional pelo Luxemburgo no futebol e de uma mãe basquetebolista, Rodesch aprendeu a andar novamente, formou-se na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos da América, e agora aponta ao top 100 até final de 2026 e à entrada direta no Australian Open do próximo ano. Objetivos completamente plausíveis depois da quinzena no Jamor. O número um do Luxemburgo chegou fora dos 200 melhores (era 209.º) da hierarquia e com um título Challenger no palmarés, saiu no posto 138 do ranking e com o triplo nos êxitos no circuito secundário. E somente com um parcial cedido em duas semanas, na final do primeiro torneio.

“Não imaginava ganhar dois títulos quando vim para cá. Antes de um torneio não se pensa em ganhar 10 encontros [venceu nove, face à lesão de Tiago Torres na segunda ronda do segundo evento não precisou de entrar em campo]. Fazemos os possíveis para vencer o próximo duelo, era o que pensava quando vinha no avião. Venci o primeiro e fui continuando e acabei a ganhar 17 dos 18 sets que joguei. Estou muito feliz e mereci estar nesta posição porque sinto que fui o melhor jogador em todos os encontros”, dizia depois do derradeiro embate da quinzena, em conferência de imprensa.

A “melhor forma da carreira” só é comparável aos cinco títulos ITF amealhados consecutivamente após a saída do college. Uma confiança que dá alento para o futuro, até pelo click dado em Oeiras. “Espero continuar assim a este nível. Não ganhei os torneios por sorte ou através de longas batalhas. Ganhei com margem e se continuar assim o futuro será risonho”.

Rodesch é ajudado por Gilles Muller desde setembro – antigo 21.º da hierarquia ATP e finalista do Millennium Estoril Open de 2017 -, alguém que o tenista de 24 anos vê como um dos melhores atletas de sempre do seu país. O agora vencedor de três troféus no ATP Challenger Tour gostava de seguir algumas das pisadas do também seu capitão da Taça Davis, mas ainda vê esse estrelato local um pouco longe. “É um país pequeno, estes títulos não são grandes feitos lá. Também porque já não sou um novato, o hype não vai ser assim tão alto. É importante para mim permanecer humilde e sei que estou longe de ser um atleta de topo no Luxemburgo. Quem sabe no futuro. É o sonho de qualquer atleta estar no estrelato”.

O palco está ao alcance e a concretização das metas ambicionadas ajudará nesse impulso mediático. Para já, Rodesch tem pontos a defender até abril, depois disso terá mais margem nessa luta para estar na elite do ténis masculino. E quem sabe se essa demanda não possa passar novamente pelos muitos torneios Challenger em Portugal. Afinal, em três provas jogadas cá, o pior resultado obtido foi a final do ITF de Loulé em março do ano passado. “Gosto das condições aqui, por isso devo voltar. Gosto das pessoas, todos são muito simpáticos. É importante jogar em torneios agradáveis onde somos bem tratados. Ajuda nos resultados”.

Embalado pela bagagem alargada, Chris Rodesch aponta às estrelas e já deixou bem para trás o problema grave de saúde de 2019. Já diziam os Foo Fighters: “Do you remember the days?/We built these paper mountains/Then sat and watched them burn/I think I found my place/Can’t you feel it growing stronger/Little conquerors/Learning to walk again/I believe I’ve waited long enough/Where do I begin?/Learning to talk again/Can’t you see I’ve waited long enough?/Where do I begin?/.

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