Isto é Taça Davis: Equador surpreende tubarão, Índia e Mónaco também brilham

Foi um verdadeiro fim de semana de Taça Davis aquele que se viveu um pouco por todo o mundo e que teve como ponto mais alto a muito surpreendente vitória do Equador frente à histórica Austrália, mas também os brilharetes da Índia e do Mónaco e até um efusivo e dramático triunfo da Colômbia. Portugal perdeu na deslocação à China e 11 anos depois desceu ao Grupo Mundial 2.

Equador 3-1 Austrália

A maior surpresa aconteceu em Quito. O Equador entrou em ação como o país com pior ranking entre os 26 participantes da primeira ronda de apuramento para a fase final, mas tirou proveito do fator casa para eliminar a Austrália, 28 vezes campeã da Taça Davis, por 3-1.

Os 2.850 metros de altitude revelaram-se fundamentais para os anfitriões surpreenderem a equipa liderada por Lleyton Hewitt, que apesar de ter viajado desfalcada das maiores estrelas (nem Alex de Minaur, nem Alexei Popyrin demonstraram disponibilidade) partia como clara favorita.

Alvaro Guillen Meza (195.º ATP) abriu a eliminatória com um triunfo por 6-4, 1-6 e 6-4 sobre Rinky Hijikata (114.º) e logo a seguir Andres Andrade (274.º) causou sensação ao bater James Duckworth (88.º) por 3-6, 6-3 e 7-5.

Com a eliminatória bem encaminhada, o Equador só precisava de um triunfo nos três encontros possíveis à entrada para a jornada decisiva e rematou o assunto logo à primeira oportunidade: uma vez mais contra todas as expetativas, Gonzalo Escobar e Diego Hidalgo levaram a melhor sobre Rinky Hijikata e Jordan Thompson por 7-6(5) e 6-4. Finalista em duas das últimas três edições, a Austrália ainda reduziu, por intermédio de Jason Kubler, num confronto já sem importância para o desfecho.

Índia 3-2 Países Baixos

A outra enorme surpresa da ronda de apuramento para a fase final aconteceu em Bengaluru, onde a Índia conseguiu surpreender os Países Baixos sob os holofotes com a ajuda preciosa de um top 500.

Dhakshineswar Suresh, número 470 mundial, foi mesmo o tenista sensação do fim de semana ao ser responsável por três triunfos: no primeiro dia surpreendeu Jesper de Jong (73.º) por 6-4e 7-5 para empatar a eliminatória, que começara com uma vitória de Guy den Ouden (160.º) sobre Sumit Nagal (281.º) por 6-0, 4-6 e 6-3.

No segundo, uniu esforços a Yuki Bhambri para vencer por frenéticos 7-6(0), 3-6 e 7-6(1) o encontro de pares contra os especialistas Sander Arends e David Pel. E depois voltou a ação para o encontro decisivo, porque Jesper de Jong tinha ganho (5-7, 6-1 e 6-4) a Sumit Nagal, e voltou a surpreender ao derrotar Guy den Ouden por 6-4 e 7-6(4).

Cazaquistão 1-3 Mónaco (play-off do Grupo Mundial 1)

Um ano depois de perder em casa com Portugal, a seleção do Mónaco alcançou o melhor resultado da sua modesta história na competição ao eliminar o Cazaquistão em Astana.

O top 10 Alexander Bublik até começou por fazer a sua parte ao arrasar o especialista de pares Hugo Nys por 6-0 e 6-3 no duelo inaugural, mas a festa cazaque foi sol de pouca dura: ainda na primeira jornada, Valentin Vacherot (31.º) devolveu os parciais a Alexander Shevchenko para igualar a eliminatória.

No segundo dia, Romain Arneodo e Hugo Nys agarraram-se com unhas e dentes a um par frenético, derrotaram Alexander Bublik e Beibit Zhukayev por 6-7(1), 7-6(6) e 7-6(5) e estenderam o tapete a mais um brilharete do compatriota: 7-6(4) e 7-6(7) foram os parciais do histórico triunfo de Vacherot sobre Bublik num embate que o anfitrião estava obrigado a vencer.

Um ano depois de ter ganho a Jaime Faria e Nuno Borges no Mónaco, o jogador sensação de 2025 (contra todas as expetativas sagrou-se campeão do ATP Masters 1000 de Xangai como qualifier) tornou-se ainda mais herói e apurou o país para a ronda de acesso às Qualifiers.

Marrocos 1-3 Colômbia (play-off do Grupo Mundial 1)

Esta nunca seria uma das eliminatórias mais seguidas de um fim de semana tão preenchido, mas acabou por ganhar contornos épicos — e mais tarde lamentáveis — pela forma como se desenrolou dentro… e fora do court.

Liderada por Nicolas Mejia (169.º) e Adria Soriano Barrera (359.º) nos singulares e por Nicolas Barrientos e Juan Sebastian Gomez nos pares, a Colômbia confirmou o favoritismo e depois o caos instalou-se.

Marroquinos e colombianos envolveram-se em desacatos, os tenistas visitantes reagiram às provocações do público e, ao selar a vitória, Mejia mandou calar os adeptos da casa, comportamento que despoletou uma série de reações mais graves: desde desentendimentos entre as duas equipas técnicas a garrafas de água atiradas para dentro do court, os vencedores precisaram de ser escoltados no regresso ao hotel e a eliminatória ficou manchada.

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