OEIRAS — Muita coisa pode mudar no espaço de um ano e Darja Vidmanova é exemplo disso: a checa nascida na Rússia e formada nos Estados Unidos da América começou 2024 sem ranking WTA e terminou perto do top 300, cortou a classificação ao meio durante 2025 e em 2026 continua a colher os frutos de uma evolução meteórica, tendo já garantido o melhor registo com a chegada à final do Women’s Indoor Oeiras Open.
Do alto dos seus 191 centímetros de altura, a graduada em Finanças pela Terry College of Business da Geórgia mal tem tido, na verdade, tempo para respirar. Porque entre 2024 e 2025 alcançou uma impressionante e raríssima tripla no circuito universitário norte-americano (conquistou os títulos de singulares, pares e equipas) e depois replicou esse sucesso entre as profissionais, colhendo de rajada e em crescendo três troféus de campeã (um W35, um W75 e um W100) antes de jogar mais uma final na categoria maior na antecâmara da estreia em Grand Slams no US Open.
Cansado? É natural. “Foi um ritmo frenético e no ténis, já se sabe, é difícil parar para respirar. “Tem sido muita coisa, mas tento aproveitar e processar o melhor que posso. No ténis jogas numa semana e na outra logo a seguir, independentemente do que faças, num torneio diferente e com outras jogadoras, portanto é tudo muito, muito rápido. Gosto de estar presente ao máximo e aproveitar os grandes momentos ou vitórias, como a de ontem, frente a uma top 100, e a de hoje, para chegar a uma final como esta, mas nem sempre é fácil”, reconheceu na conferência de imprensa após chegar à final do WTA 125 do Jamor.
Algo tímida, Vidmanova escondeu atrás de um rosto reservado a alegria de alcançar pela primeira vez uma final desta dimensão, mas admitiu estar a sentir “uma sensação ótima” depois de resistir a “outra batalha de três sets com muitas coisas a acontecer.”
Já o tinha feito na segunda ronda, para resistir a Francisca Jorge, e nos quartos de final, ao eliminar Dalma Galfi, mas foi este sábado, com o braço de ferro ganho a Maja Chwalinska, que se juntou a um clube especial formado no Jamor: o de jogadoras que anularam match points para pouco depois celebrarem, acrescentando uma dose extra de dramatismo ao feito pessoal. “Tem um sabor ainda mais especial dar a volta depois de salvar match points“, atestou.
Com um serviço acima da média e aptidão para jogar na rede, Vidmanova é “apenas mais uma” no enorme oceano de prodígios saídos da República Checa e por isso já está mais do que habituada a ser questionada sobre o segredo de um país que tem aproximadamente 11 milhões de habitantes, muito semelhante a Portugal.
“Já mo perguntaram muitas vezes e para ser sincera não sei responder, só sei que o ténis é muito acessível. Temos muitos courts e muitos treinadores, talvez seja isso.” Os resultados estão à vista e para esta checa também as parceiras de luxo estão, muitas vezes, apenas à distância de um olhar. Karolina Muchova — a preferida entre as compatriotas, pelo enorme leque de soluções e estilo de jogo — e Marketa Vondrousova, ex-campeã de Wimbledon, são duas delas. “Dois dos maiores clubes estão em Praga e a maioria das jogadoras está entre um e outro, por isso se precisas de treinar com alguém basta ires a um deles.”
Apresentada uma das finalistas, é hora de olhar em frente e pensar no que acontece este domingo, com a final diante Alina Korneeva. Tanto uma quanto a outra jogam pela primeira vez uma decisão WTA 125.