OEIRAS – 15 anos depois, Anabel Medina Garrigues voltou a ganhar um título no Complexo de Ténis do Jamor. Agora com 43 anos, a campeã do antigo Estoril Open de pares (2010) e singulares (2011) acompanhou a jovem prodígio Alina Korneeva à conquista do maior título (para já) da carreira no Women’s Indoor Oeiras Open, numa espécie de ciclo completo.
“A Alina adora Portugal e sempre que organizamos o calendário e vemos os torneios ela quer sempre vir aqui porque tem bons resultados, boas experiências e gosta das condições. Como vive em Espanha, somos vizinhos, a cultura é parecida, a gastronomia também e creio que ela se sente um pouco como em Espanha. Comigo era semelhante. Tive a sorte de ganhar aqui em 2011 e sempre gostei de jogar aqui. Tenho recordações incríveis. Ela é uma jogadora muito de rotinas e como tem tido sucesso em Portugal vem com outra mentalidade”, sublinhou em conferência de imprensa a antiga número 16 WTA de singulares, que arrecadou cinco dos 11 troféus em Palermo e comparou um pouco a sua experiência italiana com a da sua atual jogadora no nosso país.
A treinadora da academia de Rafael Nadal e antiga selecionadora da Billie Jean King Cup já viu muito ténis ao longo da sua vida e por isso tem mais do que validade para ver Korneeva entre as melhores no futuro. “Com 16 anos ela estava nas 120 melhores do mundo, mas teve muitas lesões importantes. Eu explico-lhe que a sua carreira é diferente das outras porque as circunstâncias impediram-na de competir um ano e meio. Ela tem de seguir o seu caminho e o importante é chegar às metas, não quando chegas”.
Sem essas limitações físicas e seguindo o processo estipulado, sem queimar etapas, poderá ombrear com as outras jovens prodígios do circuito WTA como Victoria Mboko e a colega de geração e compatriota Mirra Andreeva, a quem bateu na final do Australian Open júnior de 2023. “Jogadoras com um talento especial, com condições físicas muito boas para a idade que têm. Parecem mulheres de 25 anos e isso ajuda na ambição pessoal de serem muito grandes”.
Agradecida à Federação Portuguesa de Ténis pelo wild card que poupou ao corpo da pupila dois encontros extra – Korneeva falhou a inscrição no quadro principal atempadamente e por isso iria jogar a fase prévia sem esse convite -, Anabel Medina Garrigues deixa a mesma promessa da sua jogadora: regressar a Portugal o quanto antes. Provavelmente em abril, nos courts que a viram conquistar o título no Jamor em 2011.