OEIRAS – João Domingues é um homem novo. Finalmente livre dos imensos problemas físicos que têm minado a sua carreira nos últimos anos, o antigo 150.º da tabela ATP reentrou o prazer pela modalidade e os resultados começam a surgir. Um atestado disso mesmo apareceu este domingo no Jamor quando almejou o maior triunfo em mais de três anos e meio.
“Tenho vindo a fazer muitos jogos este ano, em relação aos últimos dois, três anos. E isso faz com que eu suba o meu nível, o meu nível médio, a minha confiança, a minha autoestima, e comece a ter mais noções. Isso é o que ando a fazer no campo. Estou com mais certezas e isso nota-se da forma como ando a jogar, os resultados ando a meter. E sim, obviamente que é muito gratificante voltar a ganhar um encontro a um jogador como o Kimmer [Coppejans, antigo top 100 e atual 230.º ATP]. É um grande jogador, conheço-o há anos, conhecemo-nos muito bem”, sublinhou o tenista natural de Oliveira de Azeméis na conferência de imprensa de rescaldo à primeira ronda do qualifying do Oeiras Open 125.
Domingues é o português com mais êxitos em 2026 (18), fruto sobretudo pela final em Faro e pelas meias-finais, vindo da fase prévia, em Réus. A bagagem de encontros faz com que este seja, provavelmente, o Challenger nacional em que aparece nas melhores condições em largos anos. “Foi extremamente importante este início de época. Consegui fazer muitos jogos e isso dá-me ritmo. Era uma coisa que eu andava com falta há muitos anos devido às lesões, às paragens. Isso faz com que vá ganhando ritmo e tenha mais certeza da forma como quero jogar, tenho menos dúvidas e por isso jogo de forma diferente”.
“Estou bastante feliz porque não tenho tido limitações”, exaltou o detentor de três títulos Challenger. Agora, o luso de 32 anos sente estar “mais concentrado durante mais tempo” e acha que consegue “gerir melhor emocionalmente as emoções”. “Quero continuar a trabalhar, a seguir aquilo que ando a fazer e a acreditar no processo e em quem está ao meu lado”. Quem trabalha diretamente com ele é Frederico Marques, histórico treinador de João Sousa.
João Domingues foi um primeiro a atribuir mea culpa pelo azar dos tempos recentes porque reconhece que a outra versão dele mesmo não trabalhava o suficiente. “Paguei a fatura daquilo que não fiz quando era mais novo. Houve decisões que tomei no passado onde não estava tão preocupado e tão minucioso e deixava andar algumas coisas. Quando os anos passaram, fisicamente não estando tão bem, acho que isso acabou por vir à tona. Já aceitei e agora estou de forma totalmente diferente de quem me viu há dez ou sete anos. É aquilo que eu retirei de tudo. Agora tenho que fazer todo um processo para começar a treinar e antigamente não era assim. Pensava que era só chegar e pegar na raqueta. Mas não era por falta de informação ou de as pessoas que estavam ao meu lado me avisarem. Simplesmente era um bocado preguiçoso e se calhar não tinha a devida atenção e preocupação a esses pormenores. E isso acho que foi fundamental na minha carreira e se calhar podia ter feito um bocadinho melhor na minha carreira”.
A autoavaliação sincera também dá alento e motivação ao experiente luso no que falta da sua carreira. “Desfruto mais agora do que nos últimos três ou quatro anos. Foram difíceis, acredito que agora desfruto mais do momento e daquilo que estou a passar. Ainda acredito em mim e quero ver onde é que posso voltar a chegar. Se não acreditasse, não estaria aqui nem estaria a tentar fazer o processo todo de novo porque é bastante longo e complicado”.
“Toda a gente passa por altos e baixos. É uma questão de aceitar e ser humilde o suficiente para dizer ‘é isto que eu quero, é isto que tenho de fazer’. Posso não conseguir escalar, mas pelo menos tento”.
João Domingues vai continuar a tentar já esta segunda-feira na tentativa de chegar ao primeiro quadro principal no ATP Challenger em quase 12 meses. E no mais relevante (125) desde o Porto Open de 2024.