OEIRAS — Gastão Elias tem vivido numa espécie de loop e esta segunda-feira voltou a regressar de lesão, uma redundância que ajuda a retratar os últimos anos do mais velho tenista português em atividade (e o primeiro a prolongar a carreira para lá dos 35 anos), derrotado numa primeira ronda do Oeiras Open 125 que pecou por precoce e lhe aguçou uma esperança cada vez mais traiçoeira.
“Sou um Instagram, mostro aquilo que não é verdade”, deixou escapar com a naturalidade que lhe é característica. Mais a sério, explicou que “se quero tentar [voltar], tenho de lidar desta maneira, porque se meter tudo em cima da mesa e começar a analisar friamente o que me aconteceu e a pensar se faz ou não sentido manter-me positivo e esperançoso, se calhar não faz. Não tenho outra alternativa a não ser pensar desta maneira, mas mesmo assim é complicado porque a cabeça quer muito, mas o corpo está sempre a puxar a cabeça para baixo. Enquanto tiver fotrça para aguentar o corpo a puxar-me para baixo, vou tentando. Tenho a certeza de que um dia o corpo vai puxar com mais força e a cabeça vai para baixo e vai ceder, mas até lá estou aqui. Só que não sei quantos resets é que ainda tenho, provavelmente não muitos.”
“Se é para continuar, tenho de continuar assim”, reforçou numa reflexão profunda e honesta.
“Tenho de continuar a olhar para isto desta maneira, porque o ténis já é um desporto muito difícil quando está a correr bem e as coisas dão certo. Agora imaginemos quando as coisas não estão todas a correr bem. Sinto que estou a fazer um bocado de malabarismo. É o corpo, é a parte financeira, é a família, viagens, ranking, é tudo, é… [aponta para a filha recém-nascida, que começa a ouvir-se]. Tentamos ser o mais positivos possíveis, mas é uma luta diária porque estou muito fora de forma”, desenvolveu o ex-top 60 mundial e recordista português de títulos (10) e finais (23) no ATP Challenger Tour.
“E estes jogos é que me matam um bocadinho, porque estou muito fora de forma e a jogar contra um miúdo de 20 anos, com 1.90 metros e um potencial gigantesco, que está no melhor ano da carreira, mas houve momentos em que senti que não havia forma de perder com ele. […] Isto se calhar faz-me mal porque dá-me esperança, mas o que é que hei de fazer? É o que temos. Vou fazer 36 anos neste ano e não sei quando é que dá, mas até lá cá ando.”
E até lá cá andaremos a acompanhar a jornada.