Entrevista a Margarida Moura

Margarida Moura tem dezoito anos e é a quarta melhor tenista portuguesa da actualidade. Depois da sua terceira participação no Estoril Open, o Ténis Portugal permite-lhe ler a entrevista realizada à jogadora portuguesa entre o maior torneio de ténis disputado em solo nacional e o ITF de Cantanhede, onde Margarida Moura venceu a vertente de pares ao lado da sua compatriota e amiga Joana Valle Costa (o seu melhor resultado a nível internacional, que admite esperar ser o primeiro de muitos títulos).
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Foi a tua terceira participação no qualifying do Estoril Open e perdeste pela terceira vez na primeira ronda mas, se olharmos para o nome (Jarmila Gajdosova, Madalina Gojnea e Sloane Stephens, respectivamente) e ranking das tuas adversárias, tinhas tarefas muito complicadas. O que é que consegues retirar de positivo destes três jogos que fizeste no Jamor e como analisas a tua prestação (incluindo o jogo de pares, ao lado da Joana Valle Costa)?
Claro que quando olhei para estes nomes pensei logo que iria ser bastante difícil. Principalmente no primeiro ano pois estava muito nervosa. Ao longo destes três anos acho que estou a começar a lidar melhor com tudo no Estoril pois é um torneio grande e eu ainda não estou completamente á vontade a jogar estes grandes torneios, há sempre bastante nervosismo. Espero que para o ano me corra melhor. Nos pares acho que ambas estávamos bastante nervosas, principalmente no início do jogo. No segundo set jogámos melhor mas estávamos a jogar contra um par que não era nada fácil e que acabou por ganhar o torneio. Sempre gostei de jogar ao lado da Joana e irei continuar. Jogamos juntas à um ano e meio e já nos conhecemos bastante bem. Domingo ganhámos o nosso primeiro ITF de 10.000 dólares em Cantanhede e acho que estamos cada vez melhores.
Com Michelle Larcher de Brito de fora do Estoril Open, esperavas ser a terceira jogadora a receber um wild-card para o quadro principal (juntamente com a Maria João Koehler e a Bárbara Luz)?
Nunca pensei muito sobre isso. Para mim já era bom jogar o qualifying. Tinha quase a certeza de que não me iriam dar para o quadro e claro que fiquei bastante feliz por poder jogar a qualificação.
Como reagiste quando a organização optou por Nina Bratchikova?
Reagi bem. A Nina é uma jogadora incrível e é normal que ela receba o wildcard. Afinal ela tem feito muitos bons resultados e merece.
Antes do sorteio do qualifying, esperavas conseguir vencer o teu primeiro jogo no torneio português?
Claro que pensei. Penso sempre que posso ganhar mas sabia que iria ser muito difícil. Com qualquer uma.
Ainda sobre o Estoril Open, depois do jogo queixaste-te de falta de apoio por parte de alguns portugueses. Sentes que o público nacional ainda não alargou o seu apoio a todos os atletas do nosso país?
O público nacional é incrível. Principalmente no Estoril sentimos esse apoio dentro do campo. Depois do jogo mencionei que não há apoio por parte das pessoas que estão “fora do jogo” em si. Como nos sites e blogs. Há certas pessoas que parece que não acreditam em nós e isso é difícil para nós. Acho que todos deveriam acreditar pelo menos um bocado, porque trabalhamos para ser das melhores e quando perdemos não significa que joguemos mal e que o nosso futuro esteja acabado.
Durante a vigésima terceira edição do torneio foi apresentado o projecto LagOs XXI que, entre outros objectivos, tem prevista a construção de dois courts com cobertura amovível. Acreditas que este possa vir a ser um grande passo para o torneio português (que poderá assim contar com mais apoios e, até, contribuir para a evolução do ténis português)?
Acho que sim. Acho que vai ter mais apoios devem fazer isso.
Tens jogado essencialmente ITFs de 10.000 dólares, onde já conseguiste vencer bastantes jogos. A tua época passa por continuar a jogar torneios desta categoria e tentar chegar ao teu primeiro título ou gostarias de começar a disputar mais 25.000 (como foi o caso desta semana, em Casablanca) e mesmo 50.000?
Vou continuar nos de 10.000 dólares e claro que também vou tentar jogar 25.000 e 50.000.
Também tens participado em muitos quadros principais de pares (na grande maioria ao lado da Joana Valle Costa); de onde surgiu a ideia de jogarem pares? Sentes que podem conseguir grandes resultados nessa vertente?
Nos pares acho que está a correr bastante bem. Eu e a Joana conhecemo-nos bastante bem e estamos cada vez melhores. Jogámos pares juntas a primeira vez à um ano e meio e gostámos e começámos a fazer bons resultados e, como disse, domingo ganhámos o nosso primeiro 10.000 dólares [em Cantanhede], estamos bastante felizes e sabemos que podemos ganhar muitos mais.
Daqui a um ano, quando voltares a participar no Estoril Open, gostarias de olhar para trás e ver que objectivos cumpridos?
Para o ano quero sentir que estou cada vez melhor e que estou preparada para jogar contra umas das melhores do mundo.
Em fevereiro deste ano disputaste o teu primeiro jogo por Portugal na Fed Cup, ao lado da Bárbara Luz. Apesar da derrota, numa eliminatória que já estava decidida a favor da nossa selecção, sentiste que foi um passo importante para a tua carreira? Como avalias a prestação da selecção desde que estás envolvida no grupo de trabalho?
Claro que senti. Gostei bastante de jogar e de estar lá a representar Portugal. Acho que a nossa prestação foi bastante boa e se continuarmos assim vamos conseguir muitos bons resultados.
Em 2013, a selecção portuguesa vai repetir a participação no Grupo I da Zona Europa/África, embalada pela melhor prestação de sempre; passar ao Grupo Mundial II é um sonho ou um objectivo a curto prazo?
Gostaria muito que isso acontecesse, como é óbvio. São as duas coisas ao mesmo tempo, um sonho e um objectivo.
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