Mais uma vez, o calor marca os primeiros dias, semanas de competição, mas a ele alia-se o fantástico ambiente vivido nos torneios de arranque, ligeiramente ofuscados pelo Australian Open. É aqui que todos têm a primeira oportunidade de mostrar melhorias e de corresponder às expectativas. Em Melbourne Park todos sonham com o mesmo: chegar ao último fim-de-semana e ter o troféu de campeão nas mãos. Mas apenas um o consegue em cada quadro e as listas de campeões intimidam.
As bancadas apresentam-se quase sempre cheias, com destaque para a Rod Laver e Hisense Arenas, onde se testemunham excelentes batalhas que se prolongam por horas e apenas terminam ao cabo de cinco e longas partidas. O sol põe-se, os tenistas entram em court. Na Austrália, não há falta de luz natural que pare os tenistas: estão programadas sessões nocturnas para todos os dias e o complexo dispõe de três courts com cobertura amovível (aos já referidos acrescenta-se a Margaret Court Arena, que, no entanto, apenas verá a sua cobertura ser ativa durante a competição a partir da edição de 2014).
De jogos em cinco sets sem tie-break a encontros marcados por interrupções devido ao calor, aos quais não deixam de escapar as habituais exaltações de início de época e, até, invasões de campo por parte de, imagine-se, esquilos. Tudo isto é parte integrante do grande pacote que é o Australian Open e onde estão também inseridos os primeiros torneios da época, que servem depois de rampa de lançamento para uma temporada que se adivinha muito emocionante.
Organizar um torneio do Grand Slam não é tarefa fácil e muito menos quando este se realiza na parte inicial da temporada, mas as entidades australianas responsáveis fazem-no da melhor forma ao conseguir conjugar a fome de ténis (quer por parte dos espectadores quer dos atletas, afinal todos eles estiveram mais de um mês sem actividade tenística) com as condições características do país – onde os koalas, os kangurus e outros animais merecem toda a atenção dos jogadores durante a competição, assim como as já referidas altas temperaturas – e, também, com a necessidade da época ‘arrancar’ a um bom ritmo, correspondendo da melhor forma aos parâmetros estabelecidos por todos.
Crónica publicada na primeira edição da Revista Ténis Portugal em formato digital e adaptada para ser publicada a 05-01-2014 no website.
