Numa grande entrevista publicada pelo Observador, um dos patrocinadores da vigésima quinta edição do ATP 250 português, João Lagos fala sobre o término do Portugal Open pelas ‘mãos’ da Lagos Sports, do que aí vem e do que ficou por fazer. “Estive à beira de conseguir organizar o torneio, (…) tinha as condições todas reunidas”, afirma. Agora, aos olhos do ex-diretor do maior torneio de ténis alguma vez realizado em solo lusitano, o futuro parece incerto.
Na peça publicada esta semana pela publicação online, Lagos refere que, pela primeira vez nos últimos quatro anos, “tinha todas as condições reunidas todas para a continuidade do Open: um patrocinador principal garantido e, ao nível das infraestruturas, uma série de garantias que iriam trazer grandes melhoramentos para a instalação do Open.” O que colocou um ponto final na história de amor entre a sua empresa e o Open? “Um mau julgamento de uma juíza no processo de revitalização da minha empresa, na qual, apesar de ter o apoio de 80% dos meus credores, fez as contas de uma forma perfeitamente disparatada.”
Um erro de cálculo levou a um impedimento no processo e, assim, a garantia exigida pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) não pode chegar. João Lagos garante que “até estava garantido um novo sponsor para os próximos três anos” mas que “[a juíza] ao não homologar deitou tudo isto por água abaixo; a licença do torneio, que estava dependente das garantias, perdeu-se.” Assim, foi forçado a recuar e anunciar a falta de condições à aTP.
Confrontado com a garantia, por parte de Emídio Guerreiro (secretário de Estado do Desporto) da realização do Open, o único da categoria 250 a ser disputado no país, até 2017, Lagos não esconde que “quando se ouve um secretário de Estado dizer uma coisa dessas, dá-se isso como bom.” No entanto, “dá-me ideia que era mais um desejo do que uma garantia, pois não competiria ao Estado qualquer tipo de financiamento ao Open”, ao que acrescenta: “Fiquei convencido de que teria garantias, de quem quer que fosse o futuro organizador. Mas percebi que não era bem assim e fiquei um pouco intrigado com a situação. Até hoje não consegui ficar esclarecido se haverá, ou não, um Open de Portugal.”
Desde que o anúncio do término do torneio pelas mãos da LagOs Sports foi feito, foram vários os apontados como interessados na realização do torneio, entre os quais a Gestifute, do empresário Jorge Mendes. Ora, a propósito do agente de Cristiano Ronaldo e José Mourinho, entre outros, João Lagos confessa que “não me parece que seja a Gestifute o grande promotor de um futuro Open de Portugal“, explicando: “eventualmente fará parte de um grupo do qual ainda não se conhecem todos os dados. Cheguei a contactar uma empresa do universo Jorge Mendes, aqui há uns largos meses, para, em conjunto comigo, serem parte de uma solução. Essa démarche não teve grande sucesso. Por isso aguardo com alguma curiosidade ver o Jorge Mendes ou alguma das suas empresas associadas a um evento desta natureza.”
Também van Veggel (“uma figura que conheço bem, desde que veio para Portugal, há cerca de 30 anos”) foi dado como certo no processo de negociações com a ATP e também ele foi a dada altura consultado pelo ex-promotor do torneio, que diz não ter recebido grande interesse por parte do holandês. Agora, é precisa uma nova licença, outros promotores e, claro, um investimento inicial para reavivar o torneio. Como Lagos confessa, “nestes últimos anos o orçamento andava algures entre os 3,5 e os 4 milhões de euros.”