Aos 19 anos, Ashleigh Barty já tem dois capítulos completamente diferentes de uma história para contar aos netos: foi finalista de torneios do Grand Slam e depois substituiu as raquetes pelo críquete profissional. Agora, prepara-se para regressar ao desporto que conquistou verdadeiramente o seu coração. Sem pressão, com todo o tempo do mundo e já muita experiência nos grandes palcos. Chama-lhe “Tennis 2.0”.
Numa longa entrevista concedida à jornalista Courtney Nguyen, do WTA Insider, a jovem australiana anuncia o seu regresso ao ténis 17 meses depois de ter disputado o último encontro profissional e revela-se desejosa por voltar a praticar a modalidade que mais ama e que, em 2013, a viu disputar as finais de pares do Australian Open, Wimbledon e US Open ao lado de Casey Dellacqua.
“[O sucesso que tive] foi obviamente fenomenal, mas aconteceu tudo demasiado rápido. Passei de uma pessoa que não era conhecida em nenhuma parte do mundo a alguém que estava a ganhar o torneio de júniores de Wimbledon e, seis meses depois, a jogar o Australian Open. Fui vítima do meu próprio sucesso“, lê-se na entrevista dada por Barty, que não joga desde que ‘furou’ o qualifying do US Open em singulares, em agosto de 2014.
Na altura, Ashleigh Barty — Ash, como gosta de ser tratada — ‘rendeu-se’ ao críquete por ser um desporto coletivo que lhe permitia estar nos balneários rodeada de colegas de equipa ao invés de encarar tudo sozinha. Agora, quase a celebrar 20 anos, “tenho uma perspetiva diferente da vida e do ténis em geral. Sinto que vou conseguir estar e lidar com o circuito à minha maneira. Se funcionar, ótimo. Se não, não posso reclamar. No curto tempo em que joguei tive uma carreira fenomenal.”
Como explica ao Insider, Barty podia recorrer ao ranking protegido para recomeçar em determinados torneios do circuito profissional WTA, “mas a única forma de me dedicar totalmente e saber que é mesmo isto que quero é começar por baixo, pelos torneios mais pequenos e ter de lutar para chegar novamente à elite. Isto [optar pelos torneios ITF] dá-me a oportunidade de chegar lá por mérito próprio, como resultado do trabalho que vou fazer.”
Com o grande gosto pelo ténis reacendido desde que visitou Dellacqua em Sydney e voltou a ‘bater umas bolas’, a tenista australiana de 19 anos tem regresso agendado para esta semana num torneio ITF de 25.000 dólares em Perth, onde apenas disputará a vertente de pares.