A tradição dos últimos encontros de Andy Murray (70.º) não poupou em emoção e esta sexta-feira o britânico voltou a ser posto à prova: não soube gerir uma confortável liderança diante do checo Jiri Lehecka (52.º), conheceu a outra face da moeda e quando a derrota lhe parecia bater à porta ativou o modo de super-herói. Negou por cinco vezes a vitória ao oponente e ao cabo de mais de duas horas e meia completou um triunfo épico rumo à final do ATP 250 de Doha.
Foi com um arranque imaculado que Murray se apoderou rapidamente do comando da partida, mas depois de não ter tido respostas às investidas Lehecka encontrou o antídoto para complicar as contas do antigo número um mundial. A estreia em finais no circuito principal esteve à beira de se concretizar para o mais cotado dos jogadores, só que após cinco match points desperdiçados viu o natural de Glasgow renascer das cinzas para fixar a vitória em 6-0, 3-6 e 7-6 (6).
Andy Murray, que está a trilhar uma semana composta por quatro triunfos com recurso a terceiro set e que já na estreia havia fintado match points do lado adversário, está apurado para a 71.ª final da carreira no ATP Tour e só um de dois nomes o pode separar do troféu de campeão no Qatar: Daniil Medvedev (8.º) ou Felix Auger-Aliassime (9.º), segundo e terceiro pré-designados da prova árabe.
O escocês de 35 anos volta a reencontrar-se com os dias das decisões depois de na temporada passada ter estado às portas do título tanto no piso rápido de Sydney como na relva de Estugarda. Caso voe mais longe e leve até ao fim o percurso invencível, vai regressar às conquistas três anos e meio depois de ter erguido em Antuérpia o 46.º êxito.