Com o estatuto de uma das vozes mais ativas em defesa dos mais desprotegidos, Novak Djokovic voltou a abordar o tópico e alertou que é necessário agir para aproveitar todo o potencial que o ténis tem para oferecer. Em declarações ao The Times no decurso da sua passagem pelo ATP 500 do Dubai, o líder do ranking elencou as principais debilidades da modalidade com especial atenção aos que estão longe dos holofotes dos grandes palcos.
“No geral, o ténis está num bom momento, mas precisamos de usar todo o potencial a nível global que temos. Não o estamos a aproveitar ao máximo, mesmo sendo um dos desportos com maior expressão ao redor do mundo, com biliões de espectadores. Temos de promover o ténis melhor, porque o potencial comercial não está próximo de outros desportos globais”, começou por destacar o campeoníssimo de Belgrado.
Empenhado em eliminar as fissuras que distanciam a ‘ponta do iceberg‘ ao restante aglomerado, Djokovic não esqueceu os anónimos e os sacrifícios que enfrentam diariamente: “No topo está tudo a correr bem e claro que não me posso queixar, mas falo em nome de todos os que têm posições mais baixas no ranking e que estão a fazer um esforço para se sustentar. Já tentei alertar as entidades do nosso desporto para encontrarmos coletivamente uma solução, mas infelizmente ainda nada aconteceu.”
São cerca de 3.000 os nomes com posição nos rankings profissionais, mas só uma pequena parcela consegue sustentar-se – ponto que distingue a individualidade do ténis de outros desportos coletivos: “Temos milhares de jogadores a competir por todas as partes do mundo, mas infelizmente apenas uns 400 ou 500 conseguem viver deste desporto. Percebo que é algo que as pessoas não queiram falar, mas é importante salientar que, de acordo com as estatísticas, somos o terceiro ou quarto desporto mais assistido a nível global, ainda que não consigamos ter mais de 400 pessoas a viver desta modalidade. É preciso pensar se está realmente tudo a ser bem feito no ténis.”
“Penso que precisamos de trabalhar melhor, é necessário criar um sistema mais forte para que mais pessoas possam viver do ténis. Se alguém é 200.º classificado a nível mundial, não consegue viajar com um treinador, só pode viajar sozinho. Isso não é nada positivo”, reiterou Novak Djokovic.