OEIRAS — Num mês muita coisa muda e Gastão Elias dificilmente terá um curto espaço de tempo com tantas mudanças quanto este, pois juntou ao nascimento da primeira filha, nos últimos dias de dezembro, uma mudança no gesto de serviço, uma nova raqueta e — esta indireta — uma troca de bolas que espera resolver o puzzle que nunca completou nos últimos anos. Para o primeiro Indoor Oeiras Open tinha sonhado uma campanha a fazer lembrar outros tempos, mas nem a derrota na estreia abalou o mais experiente dos tenistas portugueses na hora da análise.
“Melhorei algumas coisas nesta pré-época e estou com muita vontade. Fico com pena de não ter posto isso em jogo hoje porque queria aproveitar estas duas semanas ‘em casa’ para talvez fazer um brilharete, mas podia ter passado três semanas seguidas a jogar contra ele que acho que não ia ganhar nenhuma vez”, desabafou depois da derrota para Mikhail Kukushkin na estreia em 2026.
“Antes do sorteio disse que este era provavelmente o pior adversário que podia apanhar, preferia apanhar qualquer um dos outros jogadores porque tem um estilo de jogo diferente de todos os outros e custa-me muito defrontá-lo. Custa-me agora como me teria custado quando era 57.º do mundo, odeio defrontá-lo e não tenho a mínima ideia do que fazer contra um jogador como este”, acrescentou Elias, o primeiro português da história a prolongar o profissionalismo para lá das 35 primaveras.
Superada a frustração de começar o ano com uma exibição impotente, o recordista português de títulos (10) e finais (23) no ATP Challenger Tour — a mais recente há exatamente dois anos neste mesmo torneio — recuperou o sorriso na hora de falar das novidades entusiasmantes com que aborda a temporada.
“Está tudo a alinhar-se para correr bem, é o que tenho a dizer”, exclamou já com um grande sorriso.
Recém-papá, teve as naturais noites mal dormidas a atrapalhar a preparação para este torneio e o corpo ressentiu-se, mas conta agora com a motivação acrescida de “talvez conseguir jogar até um momento em que a minha filha saiba o que está a ver”.
Acima de tudo no plano tenístico, a transição de temporadas trouxe a Gastão Elias três mudanças pelas quais anseava: deixou de juntar os pés no serviço e livrou-se de “algumas dores muito incómodas”, parece ter encontrado finalmente a raqueta certa depois de um ano de buscas e ao mesmo tempo recebeu a notícia de que a bola Wilson Roland-Garros foi substituída pelo modelo US Open, ao que tudo indica mais regular.
“Não era dos melhores encontros para mim e mesmo assim não houve um único momento em que reclamasse das bolas. Basicamente não senti que fossem as bolas a prejudicar-me, enquanto antigamente sentia que não conseguia sequer fazer o meu estilo de jogo. Não gosto de culpar o material, mas sentia que era por causa disso. Com esta nova bola sinto que sinto que isso foi ao ar e posso concentrar-me mais na parte tática, física e tudo mais. Se falho uma bola sei porque é que falhei, enquanto com a outra não tinha a mínima ideia porque é que, com duas bolas iguais, uma ia três metros fora e a outra ficava no fundo da rede. Andava nisto diariamente e era uma bola de neve que chega a um ponto em que mentalmente já não queres lidar com aquilo“, detalhou.
Encerrado o primeiro capítulo, na próxima semana Gastão Elias ainda terá mais uma oportunidade de sonhar com o tal brilharete em casa. E se há alguém que está habituado a jogar finais Challenger no Jamor é ele: já esteve em quatro nos campos de piso rápido e jogou uma na nave de campos cobertos.