OEIRAS — A nave de campos cobertos do Complexo de Ténis do Jamor já se tornou num destino habitual do circuito secundário masculino no início do calendário e em 2026 o mesmo passa a dizer-se da categoria de entrada no circuito principal feminino, com a Federação Portuguesa de Ténis a organizar, de forma consecutiva, dois WTA 125 ensanduichados numa outra série de eventos, de dimensão inferior, na cidade invicta. A quinzena de Women’s Indoor Oeiras Open é uma novidade, abre o maior leque de sempre de provas deste nível no país e reúne um lote de jogadoras consagradas, jovens esperanças e habitués entre os palmarés espalhados por Portugal.
Datas: 8 a 15 e 15 a 22 de fevereiro
Local: Complexo de Ténis do Jamor
Superfície: Piso rápido indoor
Bolas: Wilson US Open
QUARTETO LUSO
Com Sara Lança e Analu Freitas eliminadas na primeira ronda do qualifying, Francisca Jorge (212.ª WTA), Matilde Jorge (287.ª), Angelina Voloshchuk (409.ª) e Gabriela Amorim (sem classificação profissional) são as tenistas portuguesas que marcam presença no quadro principal.
A mais cotada foi a única a obter entrada direta, enquanto as restantes foram galardoadas com convites. As regras do circuito feminino ditam que cada jogadora pode receber apenas três wild cards para torneios WTA durante a temporada, mais seis (três para o quadro principal, três para o qualfying) de torneios ITF nos quais pontuem.
As três melhores jogadoras lusas da atualidade chegam ao Jamor depois de duas semanas a competir no Porto e têm em comum o facto de já terem atingido quartos de final em torneios WTA 125, sempre em Portugal: as irmãs Jorge fizeram-no em abril de 2024 na terra batida do Oeiras Open 125, onde também conquistaram o primeiro de dois títulos de pares a este nível; Voloshchuk fê-lo em julho de 2025 no piso rápido do Eupago Porto Open.
Amorim é a mais nova (17 anos) e vai competir pela primeira vez esta época no circuito profissional após duas semanas de torneios sub 18 em terra batida na Tunísia. A jovem do Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis ainda só tem dois registos na atividade como profissional, ambos em Lousada no final da época transata, e o mais recente valeu-lhe mesmo a primeira vitória em quadros principais e consequente conquista do primeiro ponto WTA — mas precisa de pontuar em três torneios diferentes ou conquistar 10 pontos num só para entrar na tabela classificativa.
INTERNACIONAL
Como sempre, e em especial nos torneios femininos, muitas são as figuras que já integraram a elite e quase todas as protagonistas têm algures no passado tenístico uma ligação a Portugal. O cardápio mete respeito:
Viktorija Golubic
Uma das raras e melhores esquerdas a uma mão do circuito feminino aparece no Jamor como a mais cotada e como figura regular do top 100 WTA há vários anos.
Suíça, 33 anos, 89.ª do ranking WTA, 35.ª em 2022
Títulos WTA: 2 – Gstaad (2016) e Jiangxi (2025)
Finais WTA: 3 – Linz (2016), Lyon (2021), Monterrey (2021)
Outros feitos: quartos de final de Wimbledon (2021), título Billie Jean King Cup (2022), prata em pares Jogos Olímpicos (2021)
Cinco troféus WTA 125 em sete finais disputadas
Dalma Galfi
Segunda cabeça de série em Oeiras, local onde brilhou e celebrou na última passagem, também num certame WTA 125.

Hungria, 27 anos, 90.ª do ranking, 79.ª em 2022
2 Títulos WTA 125, o primeiro no Oeiras Ladies Open de 2025, num total de quatro finais.
Suzan Lamens
Terceira pré-designada, também sabe o que é triunfar num WTA 125 do Jamor. No caso no primeiro da história portuguesa.

Países Baixos, 26 anos, 105.ª do ranking, 57.ª em 2025
Título WTA: 1 – Osaka (2024)
Título WTA 125 no Oeiras Ladies Open de 2024
Victoria Jimenez Kasintseva
A quarta favorita ao título é uma antiga júnior de topo e uma das maiores esperanças do circuito feminino.
Andorra, 20 anos, 112.ª do ranking, 107.ª em outubro de 2025
2 Finais WTA 125
Dos cinco títulos, dois são em Portugal: Loulé (2022) e Lisboa Belém Open (2024), o mais importante do palmarés (W75)
Número um mundial de sub-18 em 2020, ano em que arrecadou o Australian Open

Tiantsoa Sarah Rakotomanga Rajaonah
Quinta cabeça de série que deu nas vistas no final de 2025
França, 20 anos, 116.ª do ranking, o melhor posto da carreira.
Títulos WTA: 1 – São Paulo (2025)
Greet Minnen
Sétima favorito ao título e finalista na última incursão por um torneio em Oeiras
Bélgica, 28 anos, 125.ª do ranking, 59.ª em 2023
Tem um troféu WTA 125 num total de três decisões
Em Portugal: títulos em Santarém (2018) e Indoor do Porto (2023), finalista em Óbidos (2018) e Oeiras CETO Open de 2025 (W100)
Anhelina Kalinina
É uma das credenciadas da competição, senão mesmo a maior mesmo sem títulos no circuito maior, apesar de não integrar o lote das cabeças de série.
Ucrânia, 29 anos, 167.ª do ranking, 25.ª em 2023
Finais WTA: 2 – Budapeste (2021) e WTA 1000 de Roma (2023)
Dois títulos WTA 125, o último, em dezembro, após hiato de seis meses da competição face a uma grave lesão no braço direito.
Em 2021, conquistou o torneio do CETO, primeiro de cinco êxitos desse ano e rampa de lançamento para a elite.

Anna-Lena Friedsam
Continua a tentar regressar a um nível condizente com o top 50 alcançado há uma década.
Alemanha, 32 anos, 186.ª do ranking, 45.ª em 2016
Finais WTA: 2 – Linz (2015) e Lyon (2020), ambas em hard indoor
Ostenta um troféu WTA 125 em quatro finais
Elina Avanesyan
O regresso à competição após paragem traz uma cotação enganadora para a agora jogadora da Arménia.
Arménia, 23 anos, 169.ª do ranking, 36.ª em março de 2025
Finais WTA: 1 – Iasi (2024)
Atingiu dois oitavos de final em Roland-Garros
Viktoriya Tomova
Quase ergueu um título numa visita anterior ao Complexo de Ténis do Jamor e já foi top 50.
Bulgária, 30 anos, 143.ª do ranking, 46.ª em 2024
Possui um título WTA 125 num total de três finais.
Em 2022, só parou no derradeiro duelo do Oeiras Ladies Open, então uma prova ITF W80.
Alina Korneeva
Constantemente minada por lesões, é uma das grandes promessas do circuito WTA e wild card do torneio face a esse estatuto e ao sucesso anterior em Portugal.
Rússia, 18 anos, 157.ª do ranking, 128.ª em 2024
Número um mundial de sub-18 em 2023, ano em que levantou os troféus do Australian Open e de Roland-Garros.
Quatro dos oito títulos são em Portugal: Figueira da Foz (2023, W100), Caldas da Rainha (2024, W100), Leiria (W50) e Évora (W50) em 2025. Foi ainda finalista na Figueira da Foz no ano passado.

Lucrezia Stefanini (ex-99.ª e campeã nas Caldas da Rainha em 2022 e em Montemor-o-Novo dois anos depois), Maja Chwalinska (Eupago Porto Open de 2024), Carole Monnet (Lisboa Belém Open de 2022, finalista de três outros eventos por cá), Dominika Salkova (Loulé e Funchal em 2023) também sabem o que é ser feliz em Portugal, algo que a americana Fiona Crawley descobriu este domingo ao triunfar no W50 do Porto, em recinto coberto. Kaitlin Quevedo alcançou uma final (Évora) e uma meia-final (Leiria) na época passada.
Destaque ainda para Katie Boulter. A britânica venceu este sábado o quarto título WTA em Ostrava e o regresso ao top 100 (foi 23.ª) e abdicou de vir ao Women’s Indoor Oeiras Open. Ainda está inscrita no torneio da segunda semana e, caso venha, será claramente a mais conceituada. E também sabe brilhar no nosso país, quando ainda muita jovem deu nas vistas em Óbidos.
Pontos e prize-money
| QR1 | QR2 | Apurada | 1R | 2R | QF | SF | F | 🏆 | |
| Pontos | 4 | 6 | 6 | 1 | 15 | 27 | 49 | 81 | 125 |
| Prize-money | – | 1.042€ | 1.740€ | 3.000€ | 4.608€ | 7.304€ | 13.480€ |
Transmissão televisiva e online
A Sport TV estará em direto desde o Complexo de Ténis do Jamor a partir de terça-feira. Diariamente serão transmitidos dois encontros a partir das 11 horas, o mesmo horário da final de domingo. Em simultâneo, todos os embates poderão ser vistos de forma gratuita no website da WTA mediante registo.