Korneeva joga no Jamor “inspirada” por Anabel Medina e de coração dividido pela península ibérica

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Poucos e poucas sabem vencer tão regularmente em Portugal como Alina Korneeva e por isso é natural ver a jovem de 18 anos na final deste domingo do Women’s Indoor Oeiras Open. A campeã de quatro título portugueses, num total de oito finais, joga agora a sexta decisão por cá e a maior de todas de uma carreira que se espera brilhante.

A antiga número um mundial de sub-18 e vencedora tanto do Australian Open como de Roland-Garros no escalão derrotou Matilde Jorge na meia-final e agora enfrenta a checa Darja Vidmanova, igualmente na maior final do currículo. Uma tenista mais velha (23 anos), mas até mais inexperiente por ser oriunda do circuito universário americano. “Nunca a tinha visto até à meia-final. Vai ser um bom encontro, ela é uma joagdora interessante e joga de forma diferente, com amorties, volleys, às vezes é agressiva, outras é passiva. Vão existir bons pontos e vamos preprarar bem o plano”.

A utilização do plural remete para a treinadora, a antiga 16.ª WTA Anabel Medina Garrigues. A espanhola pertence à academia de Rafael Nadal – o que atesta, também, o estatuto de prodígio de Korneeva – e é quem viaja mais frequentemente com a tenista de leste. Habituada igualmente a ter êxito em Portugal, Medina celebrou no mesmo Complexo de Ténis em que se disputa a final do primeiro WTA 125 da temporada nacional, mas no caso nos courts de terra batida, quando arrecadou os títulos do antigo Estoril Open de singulares (2011) e pares (2010).

15 anos depois de um dos 11 troféus da treinada no circuito maior, Korneeva diz-se “inspirada”, ainda que só tenha descoberto da relação quando já estava no Jamor e foi a própria Anabel Medina quem sublinhou, orgulhosamente, o feito. Mesmo em condições de jogo distintas, agora tem mais uma possibilidade de dica em busca do nono título de um palmarés que se espera bem mais gordo, sempre com os pés bem assentes no solo.

Já com 12 triunfos em 2026, fruto de um título e uma meia-final ITF, Alina Korneeva não foge dos elogios à estrutura em que se insere, em especial da experiente treinadora, outrora também selecionada da Billie Jean King Cup espanhola. “Estamos a descobrir o meu estilo de jogo. Sempre soube, claro, que era grande, tinha potência e que seria uma jogadora agressiva. Ela agora está a tentar mostrar-me que tenista posso ser exatamente. É isso que temos trabalhado nos últimos meses e a nossa conexão é bastante boa. Confio nela a 100%, até porque ela também passou por este tipo de pressão. É uma boa oportunidade poder conta com uma treinadora deste género, que me pode dar conselhos e compreender o que estou a passar. Há muitos momentos em que estou calma porque sei que a pessoa perto de mim entende-me plenamente. Isso é uma grande oportunidade para mim e estou-lhe bastante agradecida”.

O que Korneeva não consegue é convencer Anabel Medina Garrigues a defrontá-la nem a feijões. Mas são uma das parcerias mais poderosas do circuito feminino e replicam, de certa forma, outra bastante badalada: a da compatriota Conchita Martínez, ex-número dois mundial e campeã de Wimbledon em 1994, com a também jovem russa Mirra Andreeva, atual top 10 WTA e tenista que cedeu na final do Australian Open de sub-18 de 2024 face a protagonista da final deste domingo no Jamor.

Sem querer desvendar grandes objetivos futuros, Korneeva sabe que praticamente não defende pontos até ao verão face às muitas lesões que tem vivido nos últimos tempos. Tudo agora é a somar, sempre “passo a passo”. O primeiro pode estar perto de concretizar-se, arrecadar a primeira prova com chancela WTA e nas bancadas vai estar o pai Aleksandr Korneev, medalha de bronze no voleibol nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Apesar do desporto bem distinto, a capacidade de “luta” vem dos genes do pai, alguém sempre bastante calmo e com um poker face” do início ao fim impossível de discernir. “Não me lembro do nome do pássaro, mas diziam-me na Rússia que o meu pai parecia um pássaro que voa sem movimento”.

A moscovita não quer escolher entre Portugal em Espanha como segundo amor. De Espanha vem a casa, os ensinamentos tenísticos e até o castelhano já começa a emprenhar. De Portugal uma “conexão” espelhada no currículo. Em 2023, levantou o maio título do palmarés no W100 da Figueira da Foz, onde se apresentou aos portugueses; no ano seguinte, repetiu a dimensão da conquista nas Caldas da Rainha; e em 2025, ano em que regressou à final na Figueira, amealhou consecutivamente os W50 de Leiria e Évora. Ainda não sabe português, mas com a prática espanhola é “fácil entender qualquer coisa” e a vontade está em saber a língua de Camões no futuro.

Oportunidades não têm faltado nem faltarão, caso continue a vencer com tanto afinco e o triunfo de sábado foi o 40.º em torneios portugueses. “Adoro as pessoas e os meus resultados são excelentes por cá. É engraçado que nunca tinha vindo antes a Lisboa. Quando fazemos o calendário e vemos torneios em Portugal, digo sempre que quero vir e não interessa onde são. Estou até frustrada por não jogar aqui na próxima semana, mas a partir de abril há mais, não é?”.

Sim, os torneios relevantes em solo nacional não terminam este domingo nem este mês e a suspeita do costume voltará. Quem sabe já com uma mão cheia de títulos, o primeiro WTA 125 e mais de metade das conquistas com selo luso como passaporte.

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