OEIRAS — Um, dois, três, quatro, cinco. Alina Korneeva chegou a uma mão cheia de títulos em Portugal e voltou a despedir-se com o maior troféu da carreira na bagagem, acompanhado de nova declaração de amor ao país entre os muitos sorrisos com que, uma vez mais, brilhou.
“Estou muito, muito feliz por ter ganho mais este título em Portugal. É como um amuleto da sorte. Não sei explicar, mas há qualquer coisa especial. Acredito em muitas coisas na vida e é verdade que sinto uma ligação especial ao país. Espero que um dia organizem um ‘Masters’ ou um Grand Slam porque ficarei muito feliz de jogar aqui”, declarou, visivelmente satisfeita, no arranque da conferência de imprensa.
Inicialmente, Korneeva não colocou o nome entre as inscritas no torneio e por isso viajou até Lisboa com a missão de furar a fase de qualificação, mas acabou por receber um wild card que tornou ainda mais especial uma semana que estava destinada a correr bem: viajou com a treinadora Anabel Medina Garrigues, que há exatamente 15 anos venceu o antigo Estoril Open neste mesmo complexo, e também com o pai, que a acompanhou pela primeira vez.
“Foi um pouco inesperado porque ganhei um grande título logo no primeiro torneio em que ele veio comigo e isso deixa-me muito feliz. No final ele até fez uma piada, disse que ia mudar o bilhete para não viajar comigo na próxima semana porque queria manter um registo perfeito. A partir de agora vou tentar levá-lo comigo para todos os torneios“, contou.
Esta carismática russa que dominou o circuito mundial de sub 18 quando ainda só tinha 15 anos não gosta de falar em objetivos e por isso finta qualquer conversa que envolva o ranking, mas lá admitiu querer “preparar Roland-Garros da melhor forma possível” e por isso praticamente comprometeu-se a voltar a Portugal muito em breve para disputar, já com as sapatilhas de terra batida, outros dois WTA 125 em Oeiras — primeiro no Jamor, logo a seguir no CETO.
“No ano passado joguei dois jogos em terra batida, mas antes disso não jogava há quase dois anos por isso acho que me esqueci um pouco de como é que se joga. Tive bons resultados em júnior, por isso acredito que vou conseguir. Prefiro o piso rápido, mas também gosto de jogar em terra batida.”
Se precisar de inspiração, terá sempre as paredes-galeria da academia de Rafael Nadal para observar antes dos treinos. E poderá também pedir aconselhamento a Anabel Medina Garrigues, com quem tem criado uma ligação cada vez mais especial.
Este domingo, depois da vitória, as duas apressaram-se a tirar uma selfie com o troféu e poucos minutos depois aceitaram o desafio e posaram no Court Central de terra batida, um momento simbólico para assinar a conquista desta semana e a de há 15 anos, quando a espanhola adicionou o nome à lista de vencedoras do antigo Estoril Open.
O que não terá tempo para fazer é, adivinhe-se, celebrar. Porque o ténis nunca para, ainda este domingo terá um voo até França, onde na próxima semana joga um WTA 125 do qual gostaria de abdicar para ficar no Jamor, não fossem as restrições e complicações do circuito quando chega a hora de consumar inscrições.
Salvo imprevistos, o regresso acontecerá em breve, novamente no Jamor.