Kika Lima começou com uma raqueta de cartão. Agora, vê as melhores como “normais” e quer ser uma delas

Sem ascendentes ligados ao ténis, a história de Kika Lima na modalidade começou através da televisão. Durante o zapping, a curiosidade falou mais alto, o engenho fê-la construir uma raqueta de cartão e nunca mais parou, estando agora a somar etapas atrás de etapas: no final de 2025 juntou-se à equipa do Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis e este domingo jogou, aos 15 anos, o primeiro torneio do circuito profissional e logo no WTA 125 do Jamor, que agora trata como casa.

Filha do produtor e realizador Ediberto Lima, que levou programas como “Muita Lôco”, “Big Show” ou “Buéréré” às casas dos portugueses, Kika Lima tinha, de uma maneira ou de outra, de ter uma história ligada à televisão, mesmo se os programas realizados pelo pai eram “todos malucos” e, por isso, não se aventura a comparar-se a nenhum deles.

“Quando eu nasci o meu pai ainda fazia alguns programas, mas nunca cheguei a ver esse mundo tão intenso que ele tinha antes de eu nascer. Vi duas ou três produções de programas. Sei que ele era bastante admirado por muita gente e fico surpreendida por ser famoso, há pessoas no ténis que até o conhecem e admiro-o muito”, acrescentou já na parte final de uma conversa em que foi rápida a separar-se da timidez.

Um pouco mais tarde, aos oito anos, foi através da caixa mágica que tudo começou: “Estava a ver televisão à toa até que parei no ténis. Nunca tinha visto ténis na minha vida, mas perguntei ao meu pai as regras e depois criei uma raqueta de cartão. Faço uma raqueta a colar jornais para bater bolas contra a parede da cozinha e os meus pais vêem o meu interesse e levam-me a dois clubes. Acabo por ficar no Estoril e percebo que gosto bastante do desporto, por isso treino cada vez mais e a querer evoluir mais. Via as outras pessoas a jogarem mais do que eu e queria sempre chegar ao nível delas.”

Fast forward para o final de 2025 e todo o trabalho deu frutos, estando agora integrada na estrutura que tem Francisca Jorge e Matilde Jorge como principais bandeiras do ténis feminino. Ainda se lembra do pequeno ecrã? Mais uma referência: “Percebi que elas são pessoas normais. Quando olhamos para elas na televisão sentimos sempre um ‘fator uau’, mas são pessoas normais e essa normalidade mostra-me que se trabalharmos se calhar conseguimos ser como elas.”

O objetivo, claro, é o profissionalismo. E depois de brilhar no Campeonato Nacional Absoluto com quatro vitórias antes de ser travada nos quartos de final pela número um nacional e nova parceira de treinos, a primeira experiência internacional entre as melhores chegou este domingo. “Fiquei surpreendida e bastante feliz por poder jogar este torneio. Soube ontem [sábado] ao final da tarde, o Vasco Antunes [treinador do CAR] ligou-me quando eu estava a estudar, tranquila, e disse-me que havia a oportunidade. Não estava mesmo nada à espera, fiquei bastante feliz e os meus pais ficaram a saltar de alegria”, contou com um enorme sorriso.

“Depois fiquei bastante nervosa com todos os fatores envolventes. Apanha-bolas, duas toalhas, um sítio para colocar a toalha, muitas coisas novas. Gostei bastante da experiência e quero ter mais como esta para me habituar”, acrescentou antes de olhar para o encontro: “Senti-me mais nervosa do que o habitual e por isso não consegui produzir o meu melhor ténis. Se tivesse tido mais calma em certos momentos e fosse mais consistente acho que até tinha equilibrado um pouco mais, mas para primeira experiência foi bastante bom.”

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