Irmandade sempre, mas “no ténis não há empates” e cada uma das Jorge quer vencer no Jamor

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Francisca Jorge e Matilde Jorge vão protagonizar um aliciante duelo na segunda ronda do Women’s Indoor Oeiras Open. Será o 10.º encontro internacional entre ambas, 15.º se incluirmos todos os embates profissionais, mas o primeiro numa prova com estirpe WTA. E entre o orgulho intrínseco à irmandade, as vimaranenses não escondem o desafio de vencer a próxima adversária, neste caso adversária do mesmo sangue.

Não é numa final, essa seria a cereja no topo do bolo. E surge quando reconhecem ter passado por rondas inaugurais bem distintas conforme palavras das próprias. A mais velha voltou a derrotar a mesma cabeça de série (Linda Klimovicova, esta semana sexta pré-designada) uma semana depois, a mais nova não se sentiu confortável nem com o melhor nível para superar a qualifier francesa Yasmine Mansouri em quase três horas.

E se Francisca Jorge não sabia de antemão quem defrontaria em caso de sucesso esta terça-feira, a vimaranense de 21 anos sentiu numa abordagem de alguém que um primeiro êxito levaria a um confronto especial. Confronto que surge na sequência da melhor semana da carreira de Matilde Jorge, que no passado sábado disputou, no primeiro WTA 125 do Jamor, a meia-final mais relevante do ténis feminino luso. Algo motivador para quem acompanhou de perto, mesmo que esteja habituada a ser ela a primeira a cruzar qualquer meta.

“A qualquer momento ia acontecer porque ela está a fazer o seu caminho. Está a crescer, é mais nova… a probabilidade de isso acontecer é maior e fiquei muito contente. Sou a primeira a apoiá-la. Tenho um orgulho gigante na Matilde e toda a gente sabe disso. Acho que dá para ver. Quero tê-la sempe na minha vida, em tudo. Inclusivé quando jogar comigo gostava que ela ganhasse. Mas primeiro quero ganhar eu e no ténis não há empates“, contou a mais cotada sem antes relevar querer “acabar com o possível segundo feito. A ver se faço um feito um bocadinho maior, quem sabe. Estou muito orgulhosa e espero também conseguir ultrapassar essa barreira. Fazer uma final, ou ganhar uma final”.

As duas estão a jogar a “um nível muito parecido e quem jogar melhor naquele dia vai ganhar. Quem souber lidar melhor com as emoções do que é jogar contra uma irmã. Não há muita gente a saber o que é isso”, observou Francisca Jorge. De facto, são raros os embates fratricidas. Obviamente, o mais badalado neste século passou pelos confrontos entre as irmãs Williams, alguns dos quais em finais de Grand Slams.

Cada uma “quer ganhar em primeiro” e o mais difícil para a mais nova, nos primórdios da rivalidade, era encarar a número um nacional como alguém a quem derrotar e não como uma pessoa de sangue. “No início era sempre complicado porque não era uma coisa normal. Era uma coisa nova e se calhar as mais novas não têm tanta maturidade para lidar com essas situações e ela lidava melhor do que eu. Com a idade fui crescendo como pessoa e como jogadora e consegui ser mais independente. No início não conseguia sequer competir, não tinha prazer nenhum em jogar contra ela. Continuo sem ter prazer, mas agora consigo afastar-me”.

O certo é que com a vitória no bolso, Francisca Jorge foi a primeira apoiante da irmã quando já sabia o que viria na quinta-feira. “Vou querer sempre ser o melhor que consigo ser, mas sou a primeira a dizer que se alguém me passar que seja a Matilde. Em campo somos adversárias, mas tirando isso quero que ela seja muito melhor do que eu. Também sei que ela quer o melhor para mim. Que sejamos as duas muito grandes, queremos as duas singrar neste desporto difícil. Temos uma relação muito saudável, há um respeito muito grande uma pela outra e uma compatibilidade bonita”.

A compatibilidade traduz-se lado a lado e em pares já somam 25 títulos em conjunto, dois em WTA 125. Esta quarta-feira, na véspera do grande frente a frente, vão bater palmas, cerrar o punho e fazer gestos com os dedos para tentar alcançar os quartos de final na variante de pares. “É um bom jogo para desanuviar”. Só pela noite, na antecâmara, se separam e focam em definitivo na demanda pelos quartos de final de singulares.

É curioso constatar que a vencedora, seja quem for, vai marcar presença pela terceira vez nessa fase em eventos WTA 125. Mas também é certo que depois do abraço tradicional, findo o duelo, a irmandade manter-se-á e quinta-feira não será certamente a última vez que vão estar em lados opostos da tela.

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Total
0
Share
Vista geral sobre privacidade

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência de navegação. As informações são guardadas no seu browser e permitem reconhecer o seu regresso ao website, bem como ajudar a nossa equipa a perceber que secções acha mais úteis e interessantes.