Golubic tem encantado Jamor e brinca: “Na Suíça levam as crianças para os Alpes e ensinam a esquerda a uma mão”

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Roger Federer, Stan Wawrinka, Viktorija Golubic. O que têm os três em comum? São os três suíços, para começar, e batem os três a esquerda a uma mão. Já agora, batem os três belíssimas esquerdas a uma mão. Golubic é a mais nova dos três (33 anos) e tem estado no Jamor a competir no Women’s Indoor Oeiras Open, onde anda a passear a qualidade dessa pancada cada vez mais rara, sobretudo no plano feminino.

A helvética de 33 anos garantiu esta quarta-feira uma vaga nos quartos de final do segundo torneio depois de ter cedido na primeira semana na segunda eliminatória após dispor de match point. São agora três os encontros bem longos para a mais credenciada em duas semanas, tempo suficiente para se apreciar bem a qualidade dessa pancada.

Quando somos crianças, levam-nos para os Alpes e ensinam-nos a bater a esquerda a uma mão”. Foi assim que Golubic abriu a dissertação sobre a pancada num tom bem sério inicialmente, fundamental para a piada ter sucesso na sala de conferências de imprensa. Depois explicou como a pancada nasceu para o seu lado. “Eu jogava a duas mãos dos dois lados até aos 12 anos. Mas o meu treinador da altura decidiu que seria melhor mudar. Não me perguntem porquê, mas não fiquei feliz. Agora vejo que foi uma boa decisão”.

Apesar das dificuldades nos escalões etários mais novos, até porque a agora experiente tenista não é propriamente alta, Golubic vê esse lado como o mais natural do seu arsenal. Um lado mais de feeling, um “amor desde essa altura”. Esse lado mais artista fá-la ver Federer, “o homem do timing, como o “número um” entre as duas lendas do país. E numa altura em que muitos dos próprios protagonistas dessa pancada falam das dificuldades da mesma e de até algum desejo em ter uma carreira (hipotética) com a esquerda a duas mãos, a suíça não mostra arrependimentos.

“Para mim foi a melhor decisão. Adapta-se à minha personalidade porque traz caos ao jogo. E na minha cabeça há imenso caos também. Assim consigo expressar-me melhor, não fico restrita. E eu não sou das jogadoras mais potentes, por isso tenho de encontrar outras formas de competir a este nível”, observou a ex-35 da tabela WTA, campeã de dois títulos no circuito principal num total de cinco finais.

Viktorija Golubic é uma de duas praticantes da esquerda a uma mão dentro das 100 melhores do mundo (no ATP Tour há oito). E numa altura em que se fala na extinção, a atual 88.ª do ranking feminino mostra otimismo. “Hoje em dia o ténis vive do atleticismo e da potência e a duas mãos há mais estabilidade, mais potência. Mas isso pode mudar porque o atleticismo já é tão alto que é difícil superar isso. Talvez daqui a uns anos venha a existir mais variedade de novo, mais slices, mais jogo de rede. Espero que mude”.

Mesmo com “uma grande carreira” – ao já mencionado há ainda a referir, acima de tudo, a medalha de prata nos Jogos Olímpicos em pares ou os quartos de final em Wimbledon do ano de 2021 -, Golubic ainda tem sonhos. “Se assim não fosse já não jogava. Ainda me divirto e ainda tenho fogo em mim, ainda tenho motivação e vou continuar”.

Para concretizar as metas é preciso “trabalhar diariamente para que as chances de fazer algo grandioso surjam”. É esse o caminho da talentosa tenista e esse trabalho está neste momento a ser aplicado no Estádio Nacional. Curiosamente, só tinha vindo ao Porto anteriormente em passeio na única incursão anterior por Portugal. Os elogios na primeira experiência são muitos.

Pelo menos mais uns dias (os quartos de final frente à espanhola Kaitlin Quevedo serão na sexta-feira) vai permanecer em Lisboa, onde vai continuar a “sentir a cultura” e a desfrutar do tempo fora dos courts na companhia da irmã.

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