OEIRAS – Jovem, irreverente, desmetida. São vários os adjetivos que podem caracterizar a talentosa sérvia Teodora Kostovic, que está a subir meteoricamente na hierarquia mundial quando ainda há pouco mais de seis meses era uma júnior de topo. A ainda teenager é uma das semifinalistas do Women’s Indoor Oeiras Open 2 e após bater Francisca Jorge deu uma das melhores conferências de imprensa da época portuguesa. Sem filtros, sem medos.
Minutos antes, tinha sido a número um nacional a passar pela resenha e não escondeu a admiração pela coragem da tenista de leste nos momentos críticos. Kostovic reiterou: “Faz parte de mim ser dura nos momentos mais importantes como faz o Djokovic. Tento olhar para ele e permanecer positiva nessas ocasiões e jogar o melhor ponto que consigo. Faz parte de mim lutar por cada bola. Até nos treinos, na vida, tudo o que faço é para tentar ser perfeita. Claro que não é possível, mas tento e dou 100% no que faço”, explicou a número quatro de sub-18 em junho de 2025.
Mesmo com um temperamento peculiar, que muitas vezes lhe rouba demasiada energia, Kostovic é no court como é na vida: intensa, agressiva, sonhadora. Tenta combater esse lado da personalidade para se ajudar mais em campo, mas sabe que são essas valências que a tornam diferente. E quem sabe uma campeã como o seu ídolo e a grande referência de todos os sérvios em particular.
“Tenho imensos sonhos. Quero ganhar um Grand Slam. Não apenas um, quero lutar por isso muito tempo e o meu grande sonho é ganhar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. E porque não roubar o recorde do Djokovic? Vou tentar e depois vê-se. Confio em mim própria e estou a fazer tudo o que posso para ser melhor do que fui ontem e permanecer focada, fazer as coisas certas e ir na direção certa”.
Kostovic atribui o início da sua carreira ao sucesso de Djokovic (e também de Ana Ivanovic eJelena Jankovic), já que a avó, em concreto, gritava e vibrava com os encontros do campeão de 24 Majors. “Pensei, o que se passa aqui? Comecei a ver televisão e fiquei interessada. Sem eles, provavelmente a minha família não veria ténis na televisão e eu não começaria a jogar”.
A atual 171.ª da tabela WTA – melhor posto da carreira e vai continuar a ascender após a primeira aparição pelos torneios portugueses – não sabia que Novak Djokovic já tinha vencido no Jamor o antigo Estoril Open (2007), mas sabia que Hamad Medjedovic venceu um Challenger na época passada nos mesmos courts do Women’s Indoor Oeiras Open. “Os sérvios gostam mesmo de jogar aqui” (risos).
Este sábado, Teodora Kostovic vai disputar na nave dos cobertos do Jamor a segunda semifinal num WTA 125 à procura da terceira e maior final do currículo. Mais acostumada do que em Maiorca, no ano passado, e mais fresca do que nessa altura que vinha da fase prévia do torneio e até jogou esse desafio lesionada. Pela frente terá a cabeça de cartaz do torneio, a suíça Viktorija Golubic, já com um palmarés de excelência. Nada que assuste, uma vez mais, a jovem balcã.
“Jogo contra alguém, a bola vem para o meu lado do court e eu tenho de colocá-la no outro lado. O ténis é simples, não é preciso complicar. Acredito que posso ser número um, trabalho no duro e não estou surpreendida com a minha subida. Vou continuar a fazer as coisas certas para alcançar os meus sonhos e objetivos. Quando os conseguir, vou encontrar outras coisas para melhorar. Ser melhor irmã, melhor pessoa, ajudar o mundo”.
O ténis, como a vida, no seu esplendor simples. Eis a lição de Teodora Kostovic. Veio de rompante e veio para arrasar. Jovem, irreverente, destemida e sonhadora.