Espelho meu, espelho meu: Oeiras CETO Open deu a Ferro uma miragem da “velha Fiona”

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Seis anos e várias lesões depois, Fiona Ferro voltou a conquistar um grande título e encheu-se de esperança na receção de um convite dourado para disputar o ‘seu’ Grand Slam. A francesa foi uma das estrelas da 10.ª edição do Oeiras CETO Open e saiu do quarto WTA 125 da época lusa com o primeiro êxito ao fim de quase três anos.

“Significa muito vencer este título. Consegui esta semana disputar vários encontros consecutivos com bom nível. Nos últimos anos tive boas vitórias, mas não conseguia encarrilar várias de empreitada. Estou orgulhosa de mim e da minha equipa”, confessou a tenista na terceira e derradeira conferência da semana no Clube Escola de Ténis de Oeiras.

“Mentalmente vai fazer-me bem, vai dar-me confiança”, sublinhou, e o foco, não esconde, está em Roland-Garros. A cotação com que atuou em Oeiras (246.ª WTA) fá-la depender da boa-vontade de quem decide – inicialmente, Ferro pensava que o cut off para o segundo Grand Slam da época finaliza na semana que findou, o que não era verdade -. Essa boa-vontade terá, certamente, em consideração o triunfo numa prova deste gabarito.

[Ganhar este título] Vem em boa altura. Espero jogar o quadro principal [em Paris], pelo menos o qualifying devo jogar. Claro que ganha mais, tem mais chances. Neste momento não temos muitas francesas a jogar bem, especialmente as novas. Não há muitas a aparecer, por isso é sempre bom [para ela]. Ainda assim, a jogadora nascida na Bélgica sabe que já foi bem ajudada anteriormente. “Já tive uns seis wild cards. Por isso eles também precisam de dar às mais novas, a quem merece mais. Mas uma boa semana aqui…”, deixava no ar ainda antes do sucesso nos dois últimos embates da semana.

Esse ensejo veio em forma de uma das maiores conquistas, só superada pelos dois troféus no circuito principal, em Lausanne (2019) e Palermo (2020). “Este nível não é assim tão mais pequeno”. Prova disso são os 125 pontos, que a devem levar ao top 200 WTA na próxima atualização do ranking, ou a qualidade da oposição. A final foi adquirida diante de Polina Kudermetova, ex-54 WTA, e a primeira ronda, veja-se bem, foi diante nada mais nada menos do que contra Bianca Andreescu, campeã do US Open em 2019 e outrora número quatro mundial.

Com duas paragens de seis meses cada uma nos últimos três anos (pulso esquerdo e pé do mesmo lado), Fiona Ferro anseia primeiramente “ficar saudável”, mas não deixa de aspirar a mais. “Quero voltar aos quadros principais dos grandes torneios o mais rápido possível. Se ficar saudável e com boa mentalidade, com boas pessoas em meu redor, conseguirei”.

39.ª da tabela WTA em 2021, a “velha Fiona” pode sair do casulo. “Sinto pressão imposta por mim mesma quando estou em terra batida. Não só pelo Open de França, mas pelo sucesso do passado. Não é fácil por vezes comparar a Fiona de hoje com a velha Fiona. Não quero comparar, quando o faço isso destrói-me. Quero somente focar-me nos meus objetivos, na forma como quero jogar. Sem grandes focos no ranking porque isso pressiona-me”, apontou e continuou: “Ainda posso voltar a esse nível, será mais fácil se estiver bem fisicamente”.

O Oeiras CETO Open foi uma amostra da veracidade da ambição e a recompensa surgiu com o terceiro maior título do palmarés. Agora, a Ferro de 29 anos não coloca a meta da Fiona de 23 como obrigação para os dias de hoje, até porque acha que é mais difícil subir a montanha uma segunda vez. Apenas está “feliz por estar a jogar ténis novamente”.

Ficou, estamos certos, mais feliz de troféu numa mão e uma fatia de pizza na outra em jeito de celebração. E com olho no regresso a Portugal num futuro próximo, quem sabe ainda em 2026.

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