Uma provável rutura no gémeo esquerdo obrigou Gastão Elias a sair do Court Central do Jamor apoiado no fisioterapeuta do Oeiras Open e levou o tenista português de 35 anos a hipotecar um novo regresso, deixando no ar a possibilidade de terminar a carreira brevemente.
“Senti uma dor muito forte no gémeo esquerdo. Tenho uma ressonância magnética marcada para amanhã de manhã, mas muito provavelmente tenho uma rotura no gémeo”, revelou acerca do motivo que o levou a desistir logo após ganhar o segundo set contra o compatriota e amigo Tiago Pereira na primeira ronda desta terça-feira. “Faltava-me esta no bingo, já tinha tido várias [roturas] nas coxas e agora foi no gémeo.”
Visivelmente desanimado, o recordista português de títulos (10) e finais (23) no ATP Challenger Tour — os três mais recentes erguidos no mesmo Court Central onde esta terça-feira se lesionou — recorreu ao humor que lhe é característico para olhar para a situação: “Neste momento estou desempregado, tenho de arrancar um emprego. Não consigo jogar e sinceramente essa parece-me uma visão um bocadinho distante. Não me estou a ver com muita força para voltar a fazer um reset e recomeçar tudo outra vez. Faltam-me poucos pontos para perder o ranking e acho que… não sei, vai ser muito difícil voltar a jogar.”
Ainda a quente, a possibilidade de regressar para se despedir num court, e não numa sala, ficou para outra altura: “Isso pode acontecer sempre. A minha ideia não era acabar a carreira desta maneira, nem pouco mais ou menos. Ainda há muitos torneios em Portugal [até ao final do ano] e eu tinha planeado jogar todos, mas agora ficam distantes e acho muito difíicl voltar a competir. Posso fazer um último jogo num torneio aqui ou ali, mas não sei, neste momento não faz muito sentido. Queria muito continuar a jogar e tenho disponibilidade mental para isso, adoro esta vida e esta profissão, mas infelizmente o corpo não me deixa de maneira nenhuma continuar.”