Quase dois meses depois de ter triunfado no Oeiras Ladies Open, WTA 125 jogado no Jamor, a polaca Maja Chwalinska é finalista do Grand Slam. Aos 24 anos, a atual número 114 mundial assegurou o apuramento para a decisão de Roland-Garros.
Num duelo frente à russa Diana Shnaider (23.ª WTA), também ela em mares nunca antes navegados, a oportunidade era de ouro. Duas tenistas pouco habituadas a disputar as derradeiras rondas de torneios Major — Chwalinska está, imagine-se, a disputar apenas o terceiro quadro principal de um Grand Slam na carreira — e com uma daquelas chances que podem voltar a não existir. Aproveitou Chwalinska, que chegou a Paris sem nunca ter derrotado uma tenista do top 50, com os parciais de 7-6(4) e 6-4.
O encontro foi extremamente equilibrado. Shnaider com mais potência, Chwalinska com mais engenho, mas ambas a serem igualmente bem sucedidas com as suas armas. O público, que adora uma bela história de underdog, ecoou “Maja!” a cada oportunidade e fez ver desde cedo quem era a sua preferida. E a polaca, de uma concentração inabalável, não quebrou nem quando enfrentou uma desvantagem de 2-4 no tiebreak da primeira partida.
Tal como em todos os outros encontros que jogou em Paris, Chwalinska deslumbrou com o toque de bola e a inteligência demonstrada em court. Sempre dois passos à frente, levou Shnaider ao desespero — e a 36 erros — uma e outra vez. Na reta final, já com as duas a acusar o desgaste e com a russa a necessitar, inclusive, de um medical timeout, Maja Chwalinska aproveitou para fechar com classe. Amorties para um lado e para o outro, transições defesa-ataque de qualidade e um passing shot de direita deslumbrante para converter o match point.
Num território onde a compatriota Iga Swiatek já levantou o troféu por quatro vezes, Maja Chwalinska vai em busca de fechar da melhor forma o que já é uma história dourada para o ténis polaco e para a sua carreira. A canhota de 24 anos vai defrontar outra russa, agora Mirra Andreeva (8.ª), e já tem garantida a estreia no top 25 mundial. Com o título em Paris, ficaria bem dentro do top 15.