A tradição mantém-se e o histórico Internacional Junior Leiria já iniciou a 31.ª edição. A prova, organizada no Racquet Sports & Social Club Leiria, é uma das mais antigas e prestigiadas do país e recebe mais de uma centena de atletas até ao próximo sábado, dia 1 de agosto, mesmo que a tempestade Kristin, sentida há precisamente seis meses (na madrugada de 27 para 28 de janeiro), tenha ameaçado a continuidade.
Integrado no circuito júnior (sub-18) da Federação internacional de Ténis e inserido na categoria J60 (entrega 60 pontos aos vencedores individuais), a competição nasceu em 1996 e já consagrou jovens que vieram a exibir-se na roda alta do ténis mundial.
Juan Carlos Ferrero, ex-número mundial e campeão de Roland-Garros em 2003, triunfou em Leiria na edição de estreia e as estrelas nacional Nuno Borges, atual 49.º ATP e melhor luso da atualidade, e João Domingues engrandecem uma galeria de onde pertencem no total 10 portugueses. O último foi Rodrigo Leal, campeão da edição de 2025.
Esta podia ser mais uma edição, mas a tempestade Kristin afetou fortemente a zona Oeste do país e mudou completamente o figurino de um Racquet Sports & Social Club Leiria muito irreconhecível hoje em dia.
André Lopes, presidente do clube e um semifinalista do evento inaugural, em 1996, olha para a 31.ª edição com um “misto de tristeza e alegria”. “Tristeza por vermos [que o clube] está longe daquilo que foi, mas ao mesmo tempo uma alegria de ver o torneio vivo neste espaço e ver que a tradição está viva”.
“A tempestade complicou muito a vida e praticamente destruiu o clube e tudo o que tínhamos. Foram momentos de angústia e incerteza, mas também de muita entreajuda de toda a comunidade do clube e amigos do ténis. Graças a todos eles conseguimos recuperar o espaço e manter vivo o sonho de organizar o ITF, algo incerto há três meses. Os campos foram recuperados com muita mão de obra caseira e o retorno é visível”, sublinhou Lopes, também atual treinador de Henrique Rocha, número três nacional e o 123.º melhor tenista do mundo.
A 31.ª edição é, por isso, “especial” e o espelho da “resiliência e espírito de comunidade que é a imagem do Racquet Sports & Social Club Leiria”.
Ao contrário dos anos anteriores, a nova configuração dos torneios juniores da Federação Internacional de Ténis passou a contemplar provas com fase de grupos para os atletas poderem competir em mais encontros. Assim sendo, os eventos de singulares são compostos por duas fases de grupos (masculino e feminino) com cerca de 112 atletas de 20 países diferentes (Portugal é, sem surpresa, o país mais representado) e os oito vencedores da fase prévia passarão para os quartos de final, disputados na quinta-feira.
Para sexta-feira, estão agendadas as meias-finais e as decisões de pares e para sábado, derradeiro dia, as finais de singulares a partir das 10 horas. A entrada é livre a todo o público.
No dia das finais, ao mesmo tempo, vão estar cerca de meia centena de crianças de clubes portugueses a jogar uma etapa do Smash Tour, o circuito da Federação Portuguesa de Ténis para o escalão de sub-10.
Para além da Federação Portuguesa de Ténis, o torneio conta com o fulcral apoio da Câmara Municipal de Leiria e da União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, bem como do parceiro principal, a Rede Expressos, e a ajuda da Rodoviária Lis (na logística do transporte) e dos Hotéis Eurosol.
Habituado a ser um dos maiores impulsionadores tenísticos do país, o Racquet Sports & Social Club Leiria não só conseguiu manter a tradição na data planeada e normal como foi capaz de dar continuidade ao Racquet Sports Slice Cup, torneio internacional de sub-12 que nasceu em abril de 2025 e foi agora transferido, face à tempestade, para a outubro (10 a 17).