Aisam-Ul-Haq Qureshi lembrou título e acredita no desporto como “criação de pontes”e na “paz como único caminho”

Beatriz Ruivo/FPT

OEIRAS – Aisam Ul-Haq Qureshi quebrou barreiras para o ténis do Paquistão ao completar uma carreira de sucesso na variante de pares que teve como apogeu o oitavo lugar na hierarquia ATP, 18 títulos no circuito principal e a presença na final do US Open de 2010. Um dos troféus da galeria foi conquistado no Jamor no antigo Estoril Open (2012), pelo que o regresso a um palco de boas memórias trouxe felicidade ao agora jogador de 46 anos.

“Este é um lugar que significa muito para mim. Estou muito feliz por voltar a Portugal e poder trazer os meus filhos a um local onde ganhei um título. Eu adoro Portugal”, começou por dizer o outrora especialista de pares após a participação no Campeonato do Mundo de Veteranos pelo seu país. De medalha de prata ao peito (a equipa cedeu contra a Espanha na final M45) e acompanhado de perto pela família, Qureshi estava visivelmente orgulhoso e feliz por pisar o Court Central do Jamor, onde também atingiu a final do Estoril Open em 2013, sempre ao lado de Jean-Julien Rojer.

O Jamor nem foi a casa do paquistanês durante a competição, mas sim o CIF. Só que o Estádio Nacional foi o palco das cerimónias de abertura e encerramento da prova. “Infelizmente perdemos a final, mas o ano passado ganhámos o bronze, agora a prata. Significa que estamos cada ano melhores e espero que a terceira vez seja a da sorte. É esse o objetivo para o ano”.

Qureshi vai agora atuar no Jamor esta semana para as competições individuais. Por norma, jogadores do calibre do asiático não seguem para a segunda semana, mas Qureshi não é só uma lenda no Paquistão, é também o presidente da Federação do país. “Sou muito sortudo por estar aqui, continuo a jogar por amor ao ténis, pela minha família, pelo meu país. Quero que os meus filhos se inspirem ao ver-me jogar”, contou, agradecendo também a Paulo Guedes Domingues, Embaixador de Portugal no Paquistão que marcou presença no Jamor e foi peça-chave para o tratamento dos vistos num curto espaço temporal.

E numa curta conversa que parou igualmente nas notícias recentes que dão conta da intenção da ATP em cortar ainda mais a expressão dos pares no circuito profissional masculino – obviamente, como antigo especialista na variante, criticou a ideia porque para “expandir o ténis não se pode cortar jogadores, mas sim criar soluções” e até deu exemplos de outros desportos com raquetas como mote a seguir -. Aisam Ul-Haq Qureshi foi convidado a enaltecer a carreira, mas como bom diplomático, pensou no panorama geral e não no pessoal e deixou várias frases para emoldurar.

“O que mais me orgulha é ver que o Paquistão me reconheceu como um jogador de ténis numa nação que ama futebol. Eu só queria ser reconhecido como jogador de ténis. Demorou muito tempo, mas é o meu maior orgulho, ser reconhecido pelo que fiz. Agora estou numa posição de ajudar outros paquistaneses a alcançar o que eu nunca consegui alcançar, tornando-lhes a vida mais fácil ao receber mais eventos internacionais. Espero que possamos ter mais campeões no Paquistão”, reforçou o outrora parceiro do indiano Rohan Bopanna, uma dupla que ficou conhecida por ser a antítese de dois países beligerantes.

“Acredito realmente que o desporto cria pontes e isso também me mostrou o que posso fazer não só como jogador de ténis. É isso que estou a tentar fazer. Sou uma pacifista e a paz é o único caminho”.

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