Goffin encerra semana do adeus em Bruxelas e termina carreira aos 35 anos

Um dia depois de ter alterado os planos da cerimónia de despedida ao ter surpreendido com uma vitória na ronda inaugural do ATP 250 de Bruxelas, David Goffin não conseguiu repetir a proeza e terminou na tarde desta quinta-feira a carreira aos 35 anos.

O ex-número sete mundial e melhor jogador belga de todos os tempos ficou aquém do necessário para contrariar os maiores atributos do quinto cabeça de série Alex Michelsen (37.º). Ao cabo de hora e meia, as emoções voltaram a cair sobre o Brussels Expo com o adeus marcado por 6-3 e 6-4.

Uma boa troca de argumentos inicial ainda alimentou a esperança de que Goffin pudesse ter engrenagens para discutir o encontro com o norte-americano, mas Michelsen provou querer vestir a pele de vilão desta jornada e passou para a frente com um break isolado.

Duas novas quebras colocaram o forasteiro mais próximo do que nunca da vitória, a 5-2. Todavia, contrariamente à tendência habitual de quem abandona o recinto antes de ver a sua estrela perder, esta troca de court foi diferente: ninguém abandonou o seu lugar e dezenas — ou centenas — foram os reforços que chegaram a tempo para testemunhar o grande momento do adeus — e da celebração.

Como um leão que dá o último rugido antes do seu fim, também Goffin empreendeu as suas forças finais para consumar um derradeiro break da carreira e relançar os dados, através de três ases intercalados com duas duplas faltas. Mas os corpulentos serviços de Michelsen travaram algo mais e impuseram a despedida do anfitrião.

Agora sim, a ocasião fazia jus ao casaco de David Goffin com a inscrição, a dourado, de Game, set, merci.

Com a arena bem composta mas substancialmente mais reduzida em comparação com o encontro de terça-feira — algo justificável por acontecer ainda dentro do tradicional horário de trabalho —, Bruxelas encheu os pulmões para os derradeiros cânticos e ovações destinadas a quem tanto deu à Bélgica.

O natural de Liege — maior cidade da região francófona da Valónia — foi quem trouxe a comoção (e até algumas lágrimas) para as quatro bancadas pintadas a vermelho, amarelo e negro. Aos 35 anos, encerra um capítulo que fez dele número sete mundial (2017), merecendo tão ou igual destaque os seis títulos conquistados a nível ATP e ainda a final disputada no ATP Finals, naquele mesmo glorioso ano.

Mas não só no plano individual David Goffin quebrou todos os registos do ténis da terra de Tintin. Foi peça-chave de uma geração dourada da Bélgica que, no espaço de três anos, alcançou duas finais da Taça Davis — em 2015 o sonho desfez-se em Gante perante o Reino Unido e, em 2017, foi Lille que acolheu nova decepção dos tricolores, diante de França.

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