LISBOA — Uma semana dourada fez de Alexander Ritschard o primeiro bicampeão da história do Lisboa Belém Open e devolveu o suíço aos títulos depois de atravessar o cabo das tormentas em mais de uma ocasião para debelar problemas físicos que o levaram a considerar terminar a carreira.
Este domingo, 62 minutos bastaram para Alexander Ritschard (483.º ATP dois anos após ter sido 99.º), vindo do qualifying, vencer Svyatoslav Gulin (545.º), derrotado na fase de qualificação e repescado como lucky loser, por 6-2 e 6-1.
O encontro foi de tal forma de sentido único que deixou Gulin num estado de descrença, chegando o russo a apelidar Ritschard de Roger Federer — um momento de boa disposição com o treinador do suíço — tal foi o estado de graça com que se exibiu.
“Senti-me muito confortável. Consegui bater as pancadas que queria, mas não me sinto como o Roger Federer, faltam-me alguns títulos do Grand Slam para isso [risos] e uma esquerda a uma mão. Mas sem dúvida que hoje me senti muito confortável. Ajuda ter um primeiro serviço com que sei que posso contar e começar os pontos e quando assim é e pego de direita é quase impossível para o adversário lidar com isso de forma consistente“, reconheceu na conferência de imprensa de balanço à semana triunfal.
Os números atestam-no: apesar de só ter colocado 57% dos primeiros serviços, Ritschard venceu 74% desses pontos (com o segundo serviço venceu 76%) e mais importante ainda anulou os quatro pontos de break que enfrentou no encontro, negando a Gulin qualquer oportunidade de recuperar terreno para dar outro tom à final.
Dois anos depois de vencer o Lisboa Belém Open pela primeira vez para garantir a estreia no top 100, Alexander Ritschard tornou-se no primeiro bicampeão da história do torneio, ergueu o quinto título da carreira no ATP Challenger Tour e assegurou uma subida de duas centenas de posições na próxima atualização do ranking — esta para o 280.º lugar, depois de mais um longo período a lidar com problemas físicos que têm prejudicado o estabelecimento entre a elite.
Entre o ombro, as costas e a coxa, o helvético quase perdeu as contas às lesões e no início deste ano chegou a considerar colocar um ponto final na carreira, como contou na véspera, após garantir o regresso à final.
“É uma sensação muito especial. A última vez que ganhei um torneio foi aqui, há dois anos, por isso é como fechar um ciclo. As lesões foram a razão principal para o considerar, porque de resto ainda sinto que tenho algo a dar a este desporto e sinto-me novo. Ainda tenho muito dentro de mim e quero fazê-lo, mas numa boa forma física e não em dores para o resto da minha vida”, afirmou já este domingo, com o troféu novamente nas mãos.
O Lisboa Belém Open foi o nono e último torneio do circuito Challenger a acontecer em Portugal. a temporada começou com dois eventos nos campos indoor do Complexo de Ténis do Jamor, continuou com mais dois na terra batida do mesmo recinto e já no segundo semestre viajou para o Norte, com etapas no Clube de Ténis do Porto, no Complexo Desportivo do Monte Aventino, no Clube de Ténis de Braga, no Complexo Municipal de Ténis da Maia e, por fim, no Club Internacional de Foot-Ball.
Na próxima semana, entre 31 de outubro e 7 de novembro, acontecerá no Complexo Ténis Jamor a 102.ª edição do Campeonato Nacional Absoluto/Taça Guilherme Pinto Basto.