Nuno Borges (49.º) renasceu dos derrotados e aproveitou da melhor maneira a segunda vida no Masters 1000 de Paris: brilhou com uma exibição arrasadora diante do jovem prodígio Moise Kouamé (132.º), não só para somar a primeira vitória no quadro principal deste torneio, como para celebrar o 100.º triunfo a nível ATP.
Numa partida em que quase tudo lhe correu bem, o número um nacional não deu esperanças à nova estrela da casa e seguiu um guião muito regular para anular a celebração do público do Court Central. Com uma exibição quase perfeita, Borges alcançou os arrasadores 6-3 e 6-1 que lhe permitiram apagar os remorsos do desaire de domingo no qualifying.
Foi ao terceiro jogo de serviço do adversário que Borges começou a construir a estratégia ao converter a primeira oportunidade de break. Sempre um passo à frente do concorrente, o português repetiu a façanha e voltou a quebrar o serviço numa das muitas outras chances que dispôs.
Sem que nada fizesse prever outro cenário, Borges manteve-se com um ritmo acelerado e aproveitou as claras fragilidades do ainda verde Kouamé. Resolveu a questão quase por completo ao efetivar duas novas quebras que, num ápice, o posicionaram numa liderança de 5-0, tendo ainda anulado duas tímidas oportunidades registadas para o lado do francês. Antes da vitória confirmada em apenas 64 minutos, o anfitrião ainda restaurou a honra ao evitar que o luso vencesse em branco.
A performance de alto nível permite que Nuno Borges assine o primeiro triunfo da carreira no quadro principal em Paris, revertendo as duas prévias campanhas onde não passou da estreia. Este acesso sem precedentes à segunda ronda faz dele o segundo português a alcançar o marco de 100 vitórias no circuito principal, atrás de João Sousa.
Paris deixa de ser um dos Masters 1000 onde Nuno Borges nunca havia triunfado para além da fase de qualificação, restringindo-se agora o lote apenas a Miami. Em simultâneo, o maiato iguala o que fizera em 2025 (com 30) e deixa a presente temporada a um triunfo de distância de se tornar a mais produtiva em termos de vitórias alcançadas no ATP Tour.
Nuno Borges ultrapassa a fasquia com um primeiro apuramento para a segunda eliminatória do nono e último torneio Masters 1000 da temporada e vai partilhar o palco com o antigo top 10 Karen Khachanov (25.º). Será o terceiro frente a frente, primeiro fora de torneios do Grand Slam, depois de triunfos do russo tanto em Roland-Garros (2022), como em Wimbledon (2025).