Dois match points. É difícil pedir mais frente a Roger Federer em plena sessão noturna no Artur Ashe Stadium. Gael Monfils teve-os. Esteve apenas a uma pancada bem sucedida de fazer história e seguir para as meias-finais. Não conseguiu e assim é o suíço, protagonista de uma reviravolta épica, quem se mantém em prova no US Open.
‘Mama’ Federer, ‘Papa’ Federer, Mirka Federer, Stefan Edberg, Severin Luthi, Anna Wintour, Hugh Jackman (todos na box) e, até, Gwen Stefani. Estavam todos lá para ver Federer somar a sua 26ª vitória em 27 sessões noturnas em Nova Iorque. Ao fim de quase três sets, contudo, ‘La Monf’ parecia determinado em estragar a festa e foi preciso uma das maiores reviravoltas de que há memória na carreira do helvético para evitar o desastre. 4-6 3-6 6-4 7-5 6-2 após 3h19′ e com os ponteiros quase a assinalar a meia-noite.
Celebração enorme. Estádio de pé. O que começou a desenhar-se como uma exibição pouco ou nada confortável acabou por ser salvo com uma das pancadas que era precisamente responsável pelo descalabro: a direita. E assim, aos poucos e com dois pontos de encontro salvos pelo meio (a fazer lembrar, em papéis inversos, as meias-finais frente a Djokovic em 201o e 2011) se deu por confirmada a referida reviravolta. Com 48 winners e 44 erros não forçados contra 43/49 de Monfils. Mas e talvez mais do que isso, com Federer a subir à rede por 74(!) vezes e a vencer 53 desses mesmos pontos.
“Quando estava a enfrentar os dois match-points [no quarto set] deixei de me sentir bem e pensei ‘é este o momento, vai lutar por ele!'”, confessou Roger Federer logo após confirmar a sua nona vitória de carreira depois de perder os dois primeiros parciais.
Apurado para as meias-finais, as suas primeiras no US Open desde 2011, o tenista suíço de trinta e três anos medirá agora forças com o croata Marin Cilic, que bateu Tomas Berdych no início da jornada e em parciais directos. O head-to-head entre ambos é claramente favorável a Federer, que venceu os cinco encontros disputados até ao momento.