MARBELLA – Há nove meses, Cameron Norrie dava os primeiros passos como tenista profissional a “full time”. Agora, já tem uma (grande) história para contar: esta sexta-feira, surpreendeu Roberto Bautista Agut depois de estar a perder por dois sets e um break para dar à Grã-Bretanha o empate ao fim do primeiro dia de ténis em Marbella, onde a Espanha é vista como a grande favorita.
Poucos minutos depois de ter derrotado o tenista espanhol naquele que foi o primeiro encontro da sua carreira na Taça Davis e com mais de três parciais, o britânico apresentou-se algo incrédulo na conferência de imprensa. “É absolutamente incrível, não consigo colocar em palavras o que estou a sentir neste momento. Estar sentado aqui depois de ter ganho aquele jogo faz-me sentir extremamente bem.”
O duelo com o número 23 do mundo foi o primeiro de Norrie em pó de tijolo fora do circuito Future e para se adaptar à superfície o 114 do ranking teve apenas seis ou sete dias. Por isso, até o próprio ficou “muito surpreendido com o quão bem joguei hoje sobre terra batida”, tendo ainda contado que “o meu telemóvel não pára de tocar, é incrível ver que as pessoas estiveram todas a acompanhar-me e que agora estão a enviar-me tantas mensagens.”
Já sobre o duelo, o tenista britânico referiu a mudança de atitude desde o momento em que se encontrou a perder por um break no terceiro parcial — que poderia ter colocado um ponto final no encontro e, virtualmente, na eliminatória. “No terceiro set consegui concentrar-me da forma acertada e encarei [o encontro] ponto a ponto. Tentei ser mais ofensivo e ditar os pontos e ao conseguir fazê-lo fiquei com muita confiança.”
Já com um parcial “no bolso”, Cameron Norrie revelou que “no quarto set apercebi-me de que ele estava a ter algumas dificuldades físicas e quer física, quer mentalmente consegui melhorar e com o grande apoio dos adeptos e da equipa cheguei à vitória, o que é incrível.”
Capitão rendido ao brilharete do seu pupilo
Quem não se poupou a elogios a Cameron Norrie foi Leon Smith, o capitão da equipa britânica da Taça Davis. Na mesma conferência de imprensa — os dois partilharam a “mesa” de entrevistas de uma das salas do resort de Puente Romano, onde se realiza a eliminatória –, o técnico elogiou a capacidade de superação do seu pupilo.
“É impressionante. O Cam não tinha experiência nenhuma em terra batida e teve 6 ou 7 dias para a ganhar. Na verdade ainda hoje de manhã lhe disse que parecia um jogador diferente, a forma como melhorou… Mas não se consegue escrever o guião do que aconteceu hoje. Estar a perder por dois sets a zero e um break, frente a um jogador com nível de top 20 e no seu primeiro encontro em terra batida a este nível, acho impressionante. Fez um grande esforço para sair de um buraco tão fundo quanto este e tem de estar muito, muito orgulhoso” por ter conseguido fazê-lo, afirmou o técnico.
Com tudo empatado à entrada para o segundo dia, o que de certa forma contraria o favoritismo que era atribuído à Espanha à entrada para o confronto, Smith mostrou-se, no entanto, cauteloso. “Não queremos olhar demasiado para a frente”, respondeu quando questionado sobre as hipóteses da Grã-Bretanha depois de “tudo” mudar em menos de 12 horas. “Há um grande encontro de pares amanhã, que vai ser muito, muito difícil.”
Ainda assim, o treinador responsável pela conquista da Taça Davis em 2015 mostra-se confiante nos seus jogadores, já bem experientes e consagrados na variante: “Eles serão favoritos na mesma pela superfície e pelos jogadores que têm, mas se o Jamie [Murray] e o Dominic [Inglot] jogarem tão bem quanto conseguem então vão ter oportunidades ao longo do encontro. E se ganharmos então sim, será possível. E é ótimo ter a oportunidade de poder lutar pela eliminatória no domingo.”
Na mesma conferência de imprensa, houve ainda tempo para Leon Smith deixar um comentário de apreço a Liam Broady, que também fez o seu encontro de estreia na competição e, apesar da derrota em três parciais, deu boa réplica frente a Albert Ramos: “Ele jogou muito bem e teve hipóteses num terceiro set que se teria tornado muito interessante se tivesse conseguido ganhar. Também deve estar orgulhoso pelo encontro que fez, sobretudo porque também não jogava há muito tempo em terra batida e teve de fazer a transição de forma muito, muito rápida.”