A revista só foi para as bancas esta semana e a versão online apenas ficou disponível na sexta-feira. No entanto, a entrevista de Rafael Nadal à revista IO Donna, que integra o Corriere della Sera como suplemento, já está a dar muito que falar.
A razão? As declarações do número 1 do mundo a propósito da distribuição dos prémios. Questionado sobre se deveria ser feito de forma igualitária entre homens e mulheres, o espanhol deixou bem clara a sua opinião: “É uma comparação que nem devia ser feita. As modelos ganham muito mais do que os seus colegas [homens] mas ninguém diz nada. Porquê? Porque são elas que têm mais seguidores. No ténis é o mesmo: quem reúne uma audiência maior ganha mais.”
Em 2016, o então diretor do torneio de Indian Wells, Raymond Moore, afirmara que “as jogadoras deviam ajoelhar-se para agradecerem ao Roger Federer e ao Rafael Nadal por impulsionarem o crescimento do ténis a um nível global”. Pouco depois, chamado a reagir à observação, o sérvio Novak Djokovic observara que “as maiores quantias devem ser pagas a quem atrai mais atenção, espetadores e faz vender mais bilhetes”.
No entanto, o ex-número 1 mundial não tardou a emitir um pedido de desculpas, admitindo que as declarações “não foram a melhor articulação do meu ponto de vista” e desenvolvendo: “O que eu disse era em relação aos homens e às mulheres. Todos temos de lutar por aquilo que merecemos e isto nunca devia ter sido para ‘abrir uma luta’ entre os géneros e as desigualdades nos pagamentos, mas sim na forma como os jogadores no geral são recompensados pelos seus esforços.”
Nesse sentido, Andy Murray tem sido, entre os jogadores do circuito masculino, aquele que mais luta por uma distribuição igualitária dos prémios monetários entre homens e mulheres — e não só. O britânico, que durante dois anos apostou em Amélie Mauresmo como sua treinadora, defendeu por várias vezes a posição ocupada pela ex-tenista francesa, tecendo críticas àqueles que, durante o período de trabalhos, considera terem acusado Mauresmo “como nunca acusariam se se tratasse de um homem.”