Onze meses depois, o regresso vai, finalmente, acontecer. Andy Murray, que a 12 de julho de 2017 jogou o seu último encontro no circuito profissional, vai voltar aos courts e à competição esta semana, quando pisar a relva do histórico Queen’s Club (onde já venceu por cinco vezes). Foram onze meses de uma longa espera que se fez de muito mais — lesões, cirurgias e muitas horas de recuperação por dia.
“Agora que me aproximo novamente da linha de partida sinto-me muito bem. Estou ansioso por jogar novamente.” É assim que começa a coluna habitual de Andy Murray para o website da BBC sempre que está no Reino Unido a competir. Desta vez, o texto é especial porque nele o britânico desabafa e dá a conhecer vários pormenores da sua vida — e luta — longe do circuito.
Já à organização do ATP 500 do Queen’s Club, o ex-número 1 mundial confessa que o período de ausência mudou a sua forma de pensar. “Quando as coisas estão a correr bem, muito bem, como aconteceu em 2016, de certa forma esperas continuar assim. Há muita pressão e as próprias expetativas que tens de ti próprio são muito elevadas e pensas que ganhar mais Grand Slams e ser número 1 é o mais importante da carreira. Mas agora já não vejo as coisas assim. Continuo a querer isso, claro, mas neste momento o que quero realmente é jogar ténis.”
“Não comecei a jogar para ganhar Wimbledon ou para ser número 1 do mundo. Nunca pensei que isso fosse algo que eu iria fazer ou que iria querer fazer quando era uma criança. Jogava ténis simplesmente porque adorava e continuo a adorar. Adoro jogar ténis e tenho muitas saudades de o fazer. O ténis é a minha vida desde há muito tempo, aos 15 anos tomei a decisão de seguir esta via profissionalmente e agora há um ano que estou privado de o fazer, portanto tem sido extremamente difícil“, continuou Murray.
Na coluna assinada na BBC, o bicampeão olímpico volta a referir que tentar jogar o US Open de 2017 foi um erro, mas garante que “depois disso segui praticamente todas as recomendações que me foram feitas.” Ao contrário da cirurgia às costas a que se submeteu em 2013, a operação à anca em janeiro deste ano não o assustou e praticamente não teve dores. Os progressos que são feitos diariamente na medicina, diz, foram determinantes para uma recuperação que há um par de anos teria sido ainda mais demorada.
Mas o que foi, então, essa recuperação? Sobretudo, muito trabalho fora do campo — um local ao qual Andy Murray só voltou recentemente e no qual, mesmo em abril e maio, passou muito pouco tempo. “Depois da cirurgia, em Melbourne, passei muito tempo em casa, a ver o Australian Open e sem fazer muito. Quando voltei a recuperação não afetou o meu tempo em família, mas apesar de não existirem restrições tentei não passar muitas horas por dia em pé.”
“Gostava de dizer que assisti a muitas séries e filmes para ultrapassar as longas horas de espera e recuperação, mas não foi o caso. Quando voltei a casa a reabilitação começou. Passei seis a oito horas por dia em tratamentos. E foi aborrecido. Porque já estava a fazer exercícios antes da cirurgia, foi frustrante e muitas vezes cansativo. Mas o que faz com que se continue é o amor pelo ténis. Tive muitas saudades e foi por isso que fiz todos os possíveis para tentar e regressar outra vez.”