Visto ao longe, o Artur Ashe Stadium pode ser confundido com uma montanha e o desafio que Carla Suárez Navarro enfrentava na noite desta terça-feira não era muito diferente.
Com o sol a pôr-se e as luzes do Artur Ashe Stadium ligadas, a espanhola tinha pela frente o desafio de se tornar na primeira jogadora a derrotar Maria Sharapova numa sessão noturna do US Open.
E não estamos a falar de um registo curto. Até hoje, a russa tinha 23 vitórias em 23 encontros disputados sob as luzes dos courts de Flushing Meadows. Repetimos, até hoje.
Porque à chegada às duas dúzias, tudo mudou. Em dia de aniversário, a agora trintona Carla Suárez Navarro — em tempos vencedora do Portugal Open, onde aliás conquistou, em 2014, o primeiro de dois títulos no circuito WTA — fez tudo o que tinha de fazer para derrotar a campeã de 2006: foi paciente, retirou espaço a Sharapova e soube manter-se em jogo quando a ex-número 1 mundial tentou protagonizar de várias formas as várias reviravoltas no(s) marcador(es) a que tem habituado os seus seguidores.
Estava escrito nas estrelas — ou pelo menos assim parecia: Carla Suárez Navarro entrara em campo com o objetivo de sair dele como vencedora e nada o alteraria, até porque do outro lado Maria Sharapova também não esteve num dos seus melhores dias (a performance no capítulo do serviço foi especialmente má, com a número 22 do mundo a cometer 8 duplas faltas e a vencer apenas 49% dos pontos com o 1.º serviço). 6-4 e 6-3 foram os parciais da vitória quando o relógio apontava 1h25 de encontro.
Igualada a sua melhor prestação em torneios do Grand Slam (já tinha chegado aos quartos de final do Australian Open em 2009, 2016 e 2018, de Roland Garros em 2008 e 2014 e do US Open na época de 2013), a número 2 espanhola olha, agora, para novas metas. E para lá chegar tem de derrotar nada mais, nada menos do que a vice-campeã da última edição, Madison Keys, que contará com quase todo o apoio do público.