João Sousa, a família, os amigos e o primeiro treinador. Expresso Diário desta terça foca-se no número um nacional

João Sousa é o grande destaque da edição desta terça-feira do Expresso Diário [entretanto já disponível para leitura sem ser necessária subscrição], que publica uma extensa entrevista ao tenista vimaranense. A reportagem, de Pedro Candeias e Joana Beleza, com fotografia de Rui Duarte Silva e grafismo animado de João Roberto, reúne testemunhos do número um nacional, dos seus pais, amigos e primeiro treinador. Visita o passado, explora o presente e dá a conhecer o melhor tenista português de todos os tempos.

Entre várias fotografias de infância alternadas com imagens atuais, captadas no Open Village Sports, em Guimarães, começa por se ouvir a voz da mãe, Adelaide Sousa. “Era muito traquina e a paixão dele era a bola de ténis.” Tudo começou devido ao gosto do pai, Armando Marinho de Sousa, que aos 30 anos pegou nas raquetes. Não tardaria até que a paixão “pegasse”, como recordam, e aos cinco anos “já não falhava uma bola com a raquete grande”, relembra Luís Miguel Coutinho, o seu primeiro treinador, que tem a certeza de que “a evolução que teve deve-se muito à sua capacidade de trabalho e à sua paixão pelo ténis.”

“A fazer uma dessas observações disse ‘Oh Doutor, temos de meter o João nas escolas porque é difícil encontrar um miudinho de cinco anos já com aquela coordenação e tempo de entrada na bola. Já nessa altura se via que o João tinha aptidões para o desporto.” Primeiro o ténis e o futebol, depois, já mais crescido, só ténis. E, de preferência, sem erros. “Era o típico miúdo que se as coisas não corriam como queria ficava chateado e depois tentava fazer melhor”, recorda João Sousa.

“Tinha de fazer tudo direitinho senão chateava-me, era muito perfeccionista. Jogar ténis era só fazer winners, os outros miúdos não podiam tocar na bola. Era tão competitivo e perfeccionista que ficava chateado se as coisas não corriam como eu queria, independentemente do resultado.” Luís Carlos Sousa, irmão de João, define-o como uma pessoa que “sempre que traça um objetivo o consegue alcançar e acho que essa é uma das virtudes dele.”

E o pai, que aceitava os pedidos do “pequeno João” depois de treinar com amigos nos fins-de-semana, comprova-o. “Ele tinha a ideia de que a jogar ténis o adversário não podia devolver a bola. A meu ver é demasiado perfeccionista, quer fazer as coisas bem.” Diz que Espanha e o espírito espanhol, o aprender a saber aceitar a derrota, lhe fizeram bem. Mas pelo meio houve sofrimento. Sofrimento pela distância e tempos de que a mãe não se esquece. “Os primeiros meses, senão dois, três anos, foram muito difíceis porque eu só ‘via’ duas coisas: a noite, porque ia dormir, e a manhã, porque sabia que pouco depois ia falar com ele. Falávamos todos os dias ao telefone”, ou não fosse João Sousa “muito chegado à família”.

A reportagem do Jornal Expresso — dividida entre vídeos, textos e fotografias — capta também o ambiente em torno de João Sousa e, com isso, os que estão no seu círculo de amigos. Vítor Silva conhece-o desde que eram pequenos e não esquece: “A primeira memória que tenho é de vê-lo a treinar quando tínhamos seis anos. O meu pai disse-me que ele era o meu possível parceiro de treinos, eu vi-o e fiquei admirado pela forma como estava a bater na bola.”

Vinte anos depois, quase vinte e um (celebra esta quarta-feira o seu 27.º aniversário), João Sousa pisa semana após semana os maiores palcos do circuito profissional e continua a traçar objetivos. Chegar ao top-20 continua a ser um deles; estar nos Jogos Olímpicos deste ano, no Rio de Janeiro, outro. Até onde pode ir? Só o tempo o dirá, mas já tem um grande lugar na história do ténis português.

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