Não há nada a separar João Sousa dos Jogos Olímpicos excepto os cerca de dois meses que faltam para o início da prova no Rio de Janeiro, Brasil. Nas últimas semanas já não havia espaço para dúvidas, mas só o ranking publicado esta segunda-feira, 6 de junho de 2016, servirá para a ITF anunciar os 56 jogadores que entram diretamente e o vimaranense está bem dentro dessa lista.
Entre critérios de elegibilidade (só se qualificam 4 jogadores por país e, caso não se tenha lesionado, surgido há pouco no circuito ou pertença a um país com muitos atletas que possam ser selecionados para a Taça Davis/Fed Cup), o melhor tenista português de todos os tempos devera subir vários lugares na lista de entradas diretas em relação à sua classificação, que esta semana se fixa no 30.º posto da hierarquia individual masculina.
Dominic Thiem, John Isner, Nick Kyrgios, Feliciano Lopez e Bernard Tomic são cinco jogadores classificados à frente de Sousa que, por opção, abdicaram da participação nos Jogos Olímpicos. A eles, juntar-se-ão tenistas como Benoit Paire, que apesar de ser 24.º no ranking tem quatro compatriotas à sua frente, situação que partilha com vários jogadores do seu país e, por exemplo, o espanhol Pablo Carreño-Busta, finalista do Millennium Estoril Open, e Nicolas Almagro, o campeão.
Seguro entre os 25 primeiros da entry list para as Olimpíadas, João Sousa é o único português em posição de ser confirmado pela ITF (é apenas uma questão de tempo até que a Federação Internacional de Ténis indique ao comité olímpico a lista de jogadores, que será depois confirmada até ao dia 16 deste mês). Gastão Elias, que surge no 88.º posto do ranking mas ganhará posições na entry list, ainda pode, no entanto, sonhar com a ida ao Rio, precisando para isso de desistências dos seus colegas ao longo das próximas semanas.
João Sousa será o quinto português a participar nos quadros olímpicos de ténis
Dezasseis anos depois, Portugal voltará a inscrever a sua bandeira num sorteio de quadros olímpicos de ténis. A última vez que um tenista luso participou nos Jogos Olímpicos fora em Sydney, onde Bernardo Mota e Nuno Marques acabaram derrotados na primeira ronda de pares.
A competição na Austrália marcou a terceira aparição consecutiva na prova (é o único a participar por mais do que uma vez até à data), ele que em 1992, em Barcelona, disputara singulares e pares, ao lado de Emanuel Couto, parceiro que o acompanharia novamente quatro anos depois, em Atlanta.
A primeira participação de um tenista português nos Jogos Olímpicos (e única até 1992) data de 1924, nos Jogos Olímpicos de Paris, que se realizaram um ano depois da fundação da Federação Portuguesa de Lawn-Tennis. Rodrigo de Castro Pereira foi, então, o responsável pela presença das cores portuguesas no quadro, numa edição em que perdeu na primeira eliminatória e não pode disputar os pares, devido à lesão e impossibilidade de viajar para fora do país por parte de António Casanova.