Toni Nadal: “O Rafa não é um tenista, é uma pessoa com lesões que joga ténis”

Toni Nadal
Fotografia: Diario As

Rafael Nadal é um dos tenistas mais assombrados pelas sempre indesejadas lesões e tem sido atormentado por um autêntico calvário desde cedo na sua carreira. Ora Toni Nadal, o tio e ex-treinador do número 2 mundial durante mais de 28 anos, é quem primeiro o reconhece e numa palestra durante o mais recente encontro da Associação Nacional de Empresas Náuticas, em Palma de Maiorca, foi direto ao assunto.

“O mais importante é o Rafael querer continuar a jogar, apesar dos seus problemas físicos, e é isso que vai continuar a ser decisivo. Até quando, quem sabe, mais dois ou três anos. O que digo é que o Rafa não é um tenista, ele é uma pessoa lesionada que joga ténis e isso é muito difícil”, referiu o responsável pela Rafa Nadal Academy em declarações recolhidas pelo jornal El País.

O técnico de 58 anos reconheceu ainda ter sido “muito difícil” trabalhar com o sobrinho durante tantas temporadas, “porque gostava muito dele e queria que estivesse preparado para o que ia encontrar. Podia mentir-lhe, relativizar uma situação complicada, mas no campo acabaria por se encontrar com a realidade. Podia dizer-lhe que o Federer tinha um serviço pior do que o dele, mas o Federer seguramente não lhe ia mentir. Esmerei-me mais em educar o carácter do Rafa do que as suas habilidades. As boas pancadas fazem-te ganhar pontos, mas é o carácter que te faz ganhar encontros e torneios.”

Mas nem todos podem conquistar os grandes torneios e Toni sabe-o. “O sucesso não se trata de ganhar Roland Garros ou o US Open, trata-se de melhorar. Ganhar um Grand Slam não depende só de ti mas também dos teus adversários. Não sabia se ia haver um Federer no torneio ou cinco Djokovic. Tens de te preocupar com o que depende de ti, com o que podes melhorar, e isso é que é o sucesso. Porque um será bem sucedido a ser o melhor do mundo e o outro a ser o número 100. Um será o dono da Zara e o outro de uma loja pequena. O sucesso é a tranquilidade de saberes que fizeste as coisas que estavam ao teu alcance e estares feliz com o que estás a fazer.”

Posteriormente, o técnico maiorquino fez uma curta reflexão sobre a atualidade, mais concretamente sobre a tão mediática NextGen: “Todos nós temos menos obrigações do que direitos. Divertirmo-nos tem as suas consequências, porque queremos sempre as coisas mais fáceis. É por isso que é difícil seguir em frente. Os jovens tenistas são bons, mas geralmente lutam pouco. Antes, os melhores jogadores tinham entre 21 e 23 anos, agora têm 29, 30 ou até mesmo 37 anos.”

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