Do título em NY ao bronze em Londres

A catorze de setembro de dois mil e nove, quando acordou no quarto de um hotel nova-iorquino, Juan Martín del Potro pode ter imaginado vários cenários possíveis, mas apenas no final do dia, após a surpreendente vitória sobre Roger Federer, se pôde deitar no court do Artur Ashe Stadium, em Flushing Meadows, para celebrar a conquista de um torneio do Grand Slam.
E se o final de 2009 foi o melhor período de tempo da sua carreira (chegou também à final do ATP World Tour Finals), os meses que estavam para vir ganharam contornos terríveis. Em janeiro do ano seguinte ainda chegou ao quarto posto do ranking mundial ATP (a sua melhor classificação se sempre), mas uma lesão no pulso impediu-o de disputar a maior parte dos torneios em 2010.
‘Desistir’ não está incluído no dicionário da torre de Tandil, que não desistiu e procurou recuperar o melhor e mais rapidamente possível. A vitória por 3-6 7-6(5) 4-6 7-6(4) 6-2 frente a Roger Federer na final, depois de ter derrotado Rafael Nadal em sets directos no dia anterior, servir-lhe-ia de recordação e também de rampa de lançamento para o seu regresso aos courts, e o Estoril Open tem um papel fundamental no aumento da confiança do argentino que fica a apenas um par de centímetros de atingir os dois metros de altura.
A vitória no piso rápido de Delray Beach no início de 2011 assumiu o papel de pancada nas costas para del Potro, que conquistou o seu primeiro título após a lesão. Meses depois, entrou no Jamor com o objectivo de ganhar ritmo em terra batida e acabou por sair com o nono título da sua carreira (o terceiro em terra, primeiro em três anos); curiosamente, Pedro Sousa foi o único a ganhar-lhe um set, cerca de um ano antes do argentino voltar a Portugal – já com a vitória em Marselha – e revalidar o título, desta feita sem perder qualquer partida.
Após o triunfo em território francês, o argentino de apenas vinte e três anos perdeu a final de Roterdão para Roger Federer (meses depois de ter sido igualmente derrotado nos quartos-de-final do Australian Open). Seguiram-se mais quatro desaires frente ao suíço (Dubai, Indian Wells, Roland Garros [onde ainda liderou por 2-0 em sets, mas acabou por se lesionar e perder o ascendente na meia-final] e Londres, nos Jogos Olímpicos). O último dos quais, que o poderia impedir de conquistar a sua primeira medalha olímpica, acabou por dar origem a um dos momentos mais importantes da sua carreira: a vitória sobre Novak Djokovic nos courts de Wimbledon, que lhe deu a medalha de bronze em singulares masculinos.
Mas del Potro não quer parar, tem fome de títulos e nunca escondeu a vontade de aumentar o seu palmarés de majors. Em setembro, deverá integrar a equipa argentina que discutirá o apuramento para a final da Taça Davis (um dos grandes objectivos de carreira), depois de em 2008 e 2011 ter viajado com os seus compatriotas para Espanha, onde perdeu as duas finais por 1-3.

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