João Lagos: “Foi o mais longo encontro que joguei em toda a minha vida”

18 de novembro de 2014 marca o dia da morte do Portugal Open. Uma morte contra a qual João Lagos, o diretor do torneio que preencheu os circuitos desde 1990, sempre lutou. Hoje, e como é comunicado via a Lagos Sports, tomou “mais difícil decisão da sua actividade profissional – abdicando de levar a cabo a organização do Portugal Open 2015.

Sem verbas que lhe permitam continuar com o único torneio de ténis disputado em território nacional a integrar o circuito ATP e WTA, João Lagos diz ter sido “com infinita tristeza que me vi forçado a comunicar ao ATP que não reuni as condições de poder assumir a organização do próximo Open“, que tem assim como últimos campeões Carla Suarez Navarro (singulares femininos), Carlos Berlocq (singulares masculinos), Cara Black e Sania Mirza (pares femininos) e Santiago González e Scott Lipsky (pares masculinos).

Em comunicado, Lagos diz — cerca de um mês após o anúncio do término do quadro feminino — ter sido “o mais longo encontro de ténis que joguei em toda a minha vida. Chegou a um quinto e último set, com troca de match-points constantes entre mim e o adversário. Mas por mais winners que tenha assinado ao longo de 25 anos, e foram muitos, acabei por ceder exausto, mas só depois de deixar tudo em court.”

O desejo de que o ténis não abandone o país da forma que a Fórmula 1, entre outros, o fez está também presente nas palavras de João Lagos, que fala do Portugal Open como “o meu maior projecto de vida”. Para a principal ‘cara’ do torneio, “é o país que perde importantes activos de promoção internacional e que o qualificam enquanto destino de excelência”, uma missão que, como afirma, “cumpri de forma abnegada, e muitas vezes só, ao longo de 25 anos, mas que agora é interrompida.

Laurent Delanney, CEO da ATP Europe, não deixou de reconhecer “a longa história do Portugal Open no ATP World Tour”, agradecendo ainda a João Lagos todo o seu contributo para a modalidade ao longo dos últimos vinte e cinco anos. O português, recorde-se, foi condecorado em 2005 pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Ordem de Mérito — gesto que o “enche de orgulho” mas, como diz, “trocaria de bom grado se as autoridades competentes têm tido a visão que se impunha para dar ao Open as condições mínimas que desde há muito era merecedor.”

 

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