Juan Carlos Ferrero, Andy Roddick, Guillermo Coria, Andre Agassi, Carlos Moya, David Nalbandian, Mark Philippoussis, Tim Henman, Lleyton Hewitt e Gustavo Kuerten. A 2 de fevereiro de 2004, todos eles estavam no topo do ténis mundial. Melhor ou pior classificados, lá estavam, a ocupar a sua posição nos vinte primeiros da hierarquia mundial. Os quatro primeiros estavam no top5 mundial, que sofria uma inédita alteração por culpa de um jovem de vinte e dois anos. O seu nome? Roger Federer, que há onze anos atingia pela primeira vez na sua carreira o topo do ranking ATP.
Roger Federer, a estrela suíça que começava a ter postos em si os olhos de muitos dos entendidos da modalidade, chegara a Melbourne duas semanas antes já com onze títulos conquistados — entre eles, Wimbledon em 2003, que o anunciou ao mundo como o campeão que viria a ser, e a Tennis Masters Cup, no mesmo ano.
O título em Wimbledon, no ano de 2003, foi o primeiro do suíço em provas do Grand Slam pic.twitter.com/FKFNrT6M6N
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O que o tenista helvético começava a construir em janeiro de 2004 era um legado: um legado que ia para além de um título solidário em Wimbledon e de uma temporada para lá de fantástica em 2003. Afinal, foi com um percurso praticamente irrepreensível (perdeu apenas um set) que chegou ao título num torneio onde, dois anos antes, derrotara Pete Sampras num dos melhores encontros de que há memória.
Mas voltemos então a 2004. Com a sua caminhada em Melbourne Park a abrir a temporada — entenda-se, triunfos sobre Lleyton Hewitt, David Nalbandian, Juan Carlos Ferrero e Marat Safin (deles, o argentino foi o único a não atingir o topo do ranking, ficando-se pelo terceiro posto) –, Federer colocava um ponto final na liderança de Andy Roddick para subir pela primeira vez na sua carreira ao topo. Era a consagração de um já bicampeão de torneios do Grand Slam como verdadeiro candidato a quebrar números nos anos que se seguiam.
Roger Federer foi número #1 mundial pela primeira vez há 11 anos, a 2 de fevereiro de 2004 pic.twitter.com/X3ZckoJaBV
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A conquista do título no Australian Open foi o ‘serviço’ perfeito para aqueles que viriam a ser os melhores anos da carreira de Federer, que em 2004 venceu três torneios Major e o Masters (a que se juntam outros sete troféus) e em 2005 somou novos títulos em Wimbledon e no US Open (uma vez mais, terminou a época com 11) antes de chegar à sua melhor época estatisticamente falando: o ano de 2006, em que conquistou três títulos do Grand Slam, o Masters e três (agora) Masters 1000. Nessa época, Federer venceu 92 encontros e perdeu apenas 5, chegando, imagine-se, a 16 finais nos 17 torneios que disputou.
O resto… Bem, o resto são números e mais números de toda uma história de sucesso. Ao todo, são já 302 as semanas (237 delas de forma consecutiva) passadas no topo da hierarquia individual masculina, depois de em 2012 ter vencido novamente o torneio de Wimbledon para superar a tão perseguida marca de Pistol Pete.
Em 2014, Federer esteve perto, muito perto, de regressar à liderança: disputou um quinto set na final perdida para Novak Djokovic em Wimbledon e colocou o pé no acelerador para na fase final da temporada ainda lutar pela liderança, substituída por um inédito título na Taça Davis. Em 2015, só o futuro o dirá; neste momento, está a quase 4.000 pontos do sérvio.