Australian Open, Dia 1: No primeiro dia de um Grand Slam há ‘de tudo’ e Melbourne não foi exceção

A noite em Portugal (manhã na Austrália, um pouco de tudo no resto do mundo) era de ansiedade à espera do começo da primeira jornada do Australian Open 2016 mas foi com uma ‘bomba’ lançada pela BBC e pelo BuzzFeed News — que referem existirem campeões de torneios do Grand Slam envolvidos em apostas ilegais que estão neste momento a competir no torneio australiano — que o burburinho aumentou.

Só depois, com uma conferência de imprensa convocada pela ATP em que foram dadas garantias de tudo estar a ser feito para prevenir apostas ilegais e já com o surgimento dos primeiros resultados,é que as atenções se voltaram para o ténis jogado e aí sim, chegou a festa do ténis. Na primeira jornada em Melbourne Park viveu-se um pouco de tudo e enquanto vários candidatos saíram de cena, outros arrasaram para reclamar os seus lugares. Se os primeiros vencedores do dia estão aqui, nos próximos parágrafos são referidas as vitórias dos líderes dos rankings Novak Djokovic e Serena Williams, dos ex-campeões Roger Federer e Maria Sharapova e, claro, muitos mais detalhes do primeiro dia.

E que jornada! Na mira dos ‘Giorgis’ para a primeira eliminatória, a campeã em título e líder indiscutível do ranking, Serena Williams, começou por fazer furor ao apresentar-se com um equipamento alternativo mas foi pelo jogo jogado que as atenções dos muitos seguidores da jornada se focaram na Rod Laver Arena. É que, com Camila Giorgi — uma das jogadores melhor classificada a não ser cabeça de série — do outro lado da rede, a norte-americana tinha um primeiro teste traiçoeiro depois de quatro meses de ausência, repletos de incógnitas, e só com muito trabalho e paciência para o jogo da italiana conseguiu vencer (6-4 7-5 em 1h43′).

https://www.youtube.com/watch?v=BhmqNcnm66g

Praticamente ao mesmo tempo, e numa situação muito semelhante, o nipónico Kei Nishikori desemaranhava-se de um Philipp Kohlschreiber que foi traído pelo seu serviço nos momentos mais importantes para levar à euforia os milhares de adeptos que gritavam o seu nome das várias bancadas daquele que é um dos recintos onde mais é acarinhado pelo público. Com os parciais de 6-4 6-3 6-3, o japonês conseguia escapar-se a uma maré de surpresas que viria a ganhar destaque especialmente no circuito feminino: Sara Errani (6-1 5-7 1-7 para Margarita Gasparyan), Sloane Stephens (campeã em Auckland, que perdeu por 1-6 3-6 para Qiang Wang), Andrea Petkovic (5-7 4-6 para Kulichkova), Anastasia Pavlyuchenkova (6-1 3-6 4-6 perante Lauren Davis) e Anna Schmiedlova (3-6 3-6 perante Daria Kasatkina), todas teóricas favoritas, todas eliminadas na estreia.

Pelo mesmo caminho seguiu a dinamarquesa Caroline Wozniacki, mas num encontro com contornos épicos e muito característicos do seu jogo e também do da adversária, a já bem carismática Yulia Putintseva. Se o arranque foi de sentido único (6-1 para a ex-número um mundial) e tudo parecia encaminhado para um triunfo fácil quando conseguiu um break de vantagem no segundo parcial, a Hisense Arena preparava-se para assistir a um tira-teimas repleto de winners mas também muitos erros não forçados e trocas de bola pouco elegantes que mais tarde se refletiriam em 3h10 de jogo. Resultado? 1-6 7-6(3) 6-4 e vitória para Putintseva, o que levaria Wozniacki a reconhecer a culpa por ter deixado a adversária recuperar terreno e a analisar o começo de época como “m*rdoso”. A reação de Putintseva fala por si.

Trio de campeões convence no regresso; Bouchard também conseguiu brilhar

Para a segunda metade do dia estavam previstos os encontros de vários campeões da prova. Primeiro, Novak Djokovic regressou ao palco onde é mais feliz entre os torneios do Grand Slam e desenvencilhou-se do atrevido Hyeon Chung — muito ‘atrevido’ nas suas pancadas e assente num jogo de fundo sólido que por várias vezes fez frente ao sérvio — em três sets cujos parciais (6-3 6-2 6-4) não traduzem totalmente o esforço feito pelo sul-coreano mas estão à altura da boa exibição do líder.

Não muito depois, Roger Federer (na Rod Laver Arena), Maria Sharapova (na Margaret Court Arena) e Genie Bouchard (no Show Court 2) faziam também as suas estreias e o tempo de que a russa precisou (apenas 73min) para derrotar Nao Hibino por 6-1 6-3 foi praticamente o mesmo (74) gasto pelo suíço para colocar um ponto final no sonho do georgiano Nikoloz Basilashvili, estreante nestas aventuras, com os parciais de 6-2 6-1 6-2.

E se Federer e Sharapova (que entre si somam cinco troféus de campeões em Melbourne) convenceram, o mesmo se pode dizer da quarto finalista de 2015, Genie Bouchard, que derrotou Aleksandra Krunic por 6-3 6-4 para marcar encontro com Agnieszka Radwanska na segunda ronda e confirmar o bom começo de época (e relançamento da carreira depois de uma época ‘para esquecer’) em que já conta com uma final disputada.

Há espaço para o talento ‘caseiro’

https://www.youtube.com/watch?v=bvhV6QK8pU8

Com a mochila do ténis australiano às costas num momento de transição, Nick Kyrgios procurava repetir a boa entrada de 2015 e começar por progredir para a segunda eliminatória da atual edição e a verdade é que não teve dificuldades em fazê-lo. Este ano já como cabeça de série (29.º), o jovem aussie derrotou Pablo Carreno Busta em parciais diretos, por 6-2 7-5 6-2, num embate em que alinhou 37 winners e apontou 26 ases

Se a estreia de Nick Kyrgios foi positiva, o que dizer da do jovem de 18 anos, Omar Jasika, que conseguiu a sua primeira vitória de sempre em quadros principais de torneios do Grand Slam (à semelhança de Noah Rubin, que hoje também venceu, ainda não tem nenhuma em eventos do circuito ATP)? O australiano apresentou-se muito mais consistente que o ucraniano Illiya Marchenko, que apesar dos 42 winners cometeu 68(!) erros não forçados, e conseguiu triunfar em quatro partidas, por 6-4 3-6 6-0 6-4, para registar uma página histórica no livro da sua carreira.

Como em tudo, há pontos bons e pontos maus e se o dia foi de verdadeira alegria para três dos jovens australianos que hoje entravam em destaque, a jogadora mais credenciada voltou a desiludir. Em plena sessão noturna perante uma lotada Rod Laver Arena, Samantha Stosur, em tempos campeã do US Open, deixou-se eliminar pela qualifier checa Kristyna Pliskova, irmã de Karolina, em apenas dois sets (4-6 6-7[6]). Em treze participações, Stosur nunca alcançou a segunda semana do Australian Open e apenas duas ocasiões (2006 e 2010) alcançou a quarta eliminatória.

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