Jogador confessa à imprensa chilena que recebe dinheiro para perder encontros

Não dá, para já, qualquer detalhe que permita a sua identificação, mas segundo a imprensa chilena um jogador confessou que é jogador profissional, tem pontos ATP e recebe constantemente dinheiro para perder sets, cometer duplas faltas e perder encontros. Tudo porque “assim podia ligar pelas primeiras vezes aos meus pais como me corria a carreira sem ter de lhes pedir mais dinheiro.”

Como é contado numa ‘carta’ publicada no tenischile.com, “quando comecei a ter resultados e os pontos começaram a aparecer houve pessoas que me ofereceram 1.500 dólares para perder na primeira ronda de um Future com um jogador que era pouco provável vencer-me. Na primeira vez não aceitei, ganhei e aceitei, mas na minha mente pensei várias vezes em aceitar. Nesse torneio perdi na segunda ronda e a organização entregou-me 200 dólares de prémios, dos quais recebi muito menos por causa dos impostos, e na minha cabeça continuavam os 1.500 dólares que me tinham sido oferecidos.”

“Depois de uma semana muito confusa em que pensei várias vezes que devia ter aceite, a oferta reapareceu com um número maior: a mesma pessoa ofereceu-me 2.000 dólares e, cheio de dúvidas, nervoso e com medo, aceitei e deixei-me perder contra um jogador a quem já tinha ganho dois encontros; o torneio deu-me 117 dólares de prize money, menos os impostos, mas no meu bolso tinha 2.000 dólares extra que me deram tranquilidade emocional para poder continuar a competir”, revela o jogador anónimo que diz não querer revelar a sua identidade “porque com esta declaração poderia ficar de fora do ténis durante o resto da minha vida e isto é tudo o que tenho, é a minha paixão, é algo a que dediquei toda a minha vida e não quero ser castigado.”

“Pela primeira vez na minha vida podia ligar aos meus pais para lhes contar como estava sem lhes pedir dinheiro para cobrir mais despesas; sentia-me auto-sustentável, jogava com menos pressão e podia escolher um hotel melhor, assim como levar uma lembrança aos meus pais quando regressava ao meu país. Os meses passavam, os meus pais não tinham dinheiro, e se fosse pelos prémios dos torneios não conseguiria cobrir o custo do hotel, da comida, de lavar a roupa, treinador e treinos, de tudo.”

“Comecei a aceitar propostas mais regularmente mas o medo jogava comigo em campo porque de vez em quando via a ATP aplicar grandes sanções a jogadores que eram descobertos e tinha medo de ser o próximo. Meses depois [da primeira vez], num Future na Argentina, enfrentei a minha ‘besta negra’, um jogador a que nunca tinha ganho três jogos num único set e que estava à minha frente no ranking por cerca de 600 lugares. Ganhei o primeiro set, depois o segundo e aí apercebi-me de que não era o único metido no ‘mundo obscuro’ das apostas.”

No final da carta, o jogador-anónimo diz que “hoje, a minha realidade continua a ser parecida. Jogo torneios Future e Challenger, vendo alguns jogos e muitas vezes só sets, tendo também chegado a vender duplas-faltas. Não me arrependo, não me envergonha e vejo-o como um mal necessário até as autoridades melhorarem os prémios dos torneios. Até lá, quer eu quer muitos jogadores continuaremos a recorrer a esta alternativa para vivermos da nossa paixão.”

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