David Ferrer: “Já fui muito temperamental”

Em vésperas de iniciar mais uma participação em Buenos Aires, David Ferrer concedeu uma entrevista ao site do torneio, onde abordou várias questões sobre a sua longa carreira e a constante evolução a que tem sido submetido para se manter no topo. Se é verdade que atualmente o espanhol é uma das referências do ténis mundial, também não é menos verdade que nem sempre se pautou por uma boa conduta.

O número 6 mundial tinha o hábito de partir raquetes, insultar e ter comportamentos menos apropriados dentro do court, quando era mais novo. “No início da minha carreira era muito temperamental, mas com o passar do tempo ganhei mais maturidade e comecei a aceitar melhor as frustrações para poder melhorar, aprendi a valorizar o que ia acontecendo”, assumiu o espanhol.

Para o pupilo de Francisco Fogues, a final da Taça Davis ganha pela Espanha frente à Argentina, em 2008, foi um ponto de viragem na sua personalidade. “A partir desse momento mudei a minha forma de pensar em termos pessoais e profissionais. Fiz as minhas escolhas profissionais e aprendi a não pôr as culpas em cima dos outros. Isso ajudou-me a sentir-me melhor comigo mesmo e a ter os melhores anos da minha carreira. Houveram diferentes Ferrers ao longo da minha vida, claramente prefiro o Ferrer atual”, confessou o tenista natural de Valência.

Na opinião de Ferrer, os livros e as opiniões das pessoas foram a principal ajuda para melhorar a sua parte mental dentro do court. “Acho que foi ouvir as opiniões dos outros, respeitá-las e aceitá-las. Tens de perceber que nem tudo corre como tu queres e não tens de te sentir mal quando perdes. Ler livros, como autobiografias, biografias de atletas ou artistas, também me ajudou a crescer pessoalmente”, revelou o ex-número 3 ATP, que apesar de já ter 33 anos acredita que ainda continua a aprender todos os dias e que se não continuasse a gostar de jogar não teria os resultados que tem.

Tens de gostar daquilo que fazes para te sentires bem. Isso é o que faz com que tenha tanto gosto em jogar. Tens de aceitar as derrotas mesmo que ninguém goste de perder. Há sempre algo para aprender. De outra forma eu não teria tido a carreira que tive”, observou.

O antigo finalista de Roland Garros (2013) recorda uma frase que o seu pai lhe dizia quando era mais novo: “podes ser o que quiseres, mas tens de lutar até ao fim”, que para Ferrer ainda hoje faz todo o sentido. “Foi uma grande sugestão. Fazê-lo não foi assim tão fácil porque há momentos dentro do court em que se perde a cabeça. Mas eu penso quando acabar a carreira não vou ter nada que me vá arrepender quanto à luta que dei sempre em campo”, concluiu o detentor de 26 títulos ATP.

Ferrer defende o estatuto de 2.º cabeça-de-série na edição deste ano do Argentina Open, torneio que já conquistou por três vezes na sua carreira (2012, 2013 e 2014), sendo hoje em dia um símbolo de superação, luta e competitividade para muitos jovens jogadores. Isento da primeira ronda, David Ferrer defronta o convidado Renzo Olivo ou um tenista oriundo da fase de qualificação, nos oitavos de final.

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