Queen’s Club. O palco perfeito para o regresso da dupla Murray-Lendl

Segurar o serviço é um aspeto chave no ténis e Milos Raonic era o jogador melhorar encaminhado para a vitória na final deste domingo no Queen’s Club, em Londres. Mas, no final, foi Andy Murray quem sorriu naquele que poderia perfeitamente ter sido um duelo de pares, com John McEnroe e Ivan Lendl nos camarotes a fazerem papéis de respetivos treinadores. Faz-se história no ténis britânico.

De olhos postos no quinto título na relva do clube londrino — algo até hoje nunca alcançado por nenhum jogador –, Murray demorou a conseguir ler o jogo de Raonic e encontrar os momentos ideais para ganhar vantagem. Do outro lado, com a calmaria habitual — curiosamente, nesse capítulo os dois tenistas têm treinadores trocados: Lendl apresenta a mesma expressão ao longo de todo o duelo, enquanto McEnroe gesticula e se levanta ponto após ponto — Raonic construía uma vantagem confortável e parecia bem encaminhado para o título.

Mas o ténis é um desporto onde tudo pode mudar com um ponto, um momento, um detalhe… E assim foi. Depois de 55 jogos(!) sem ceder a sua pancada principal, o canadiano viu o britânico, número dois mundial, quebrar com uma resposta “absurda” para ganhar terreno. A partir daí, recuperou a confiança, a orientação e tomou a liderança, que o levaria à vitória por 6-7(5), 6-4 e 6-3.

De título nas mãos — porque o tamanho da taça não permite, sequer, a tentação de utilizar a expressão “no bolso” –, Andy Murray faz o dois em um: quebra a tradição de só se sagrar campeão do torneio do Queen’s Club em anos ímpares (fê-lo em 2009, 2011, 2013 e 2015) e torna-se no primeiro jogador a inscrever por cinco vezes o seu nome na lista de campeões.

Com o segundo troféu do ano na “bagagem” para Wimbledon (tem ainda, para além de outras finais, os de vice-campeão dos dois primeiros torneios do Grand Slam de 2016), o herói local chegará ao All England Club, onde irá em busca do seu segundo título, como o único dos grandes candidatos a ter um título na relva. Já Raonic, falhou a conquista do segundo troféu do ano, que seria o nono da carreira.

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