Wimbledon: dia 7: Tsonga sem medo das alturas num dia extra que levou Londres (e o mundo) à loucura

Quando há ténis no All England Club em pleno domingo da primeira semana, algo correu mal nos dias anteriores. E, à semelhança dos anos de 1991, 1997 e 2004, só podia ser… A chuva. Os céus pouco ou nada têm perdoado aos deuses do ténis que estão em Londres e a organização de Wimbledon viu-se forçada a abrir uma exceção à regra apenas pela quarta vez em 139 anos de torneio, jogando-se assim no dia que habitualmente é dedicado à recuperação dos courts mais emblemáticos do mundo.

Com mais de duas dezenas de milhares de bilhetes postos à venda exclusivamente online na véspera, os adeptos aderiram em massa e deslocaram-se ao clube londrino neste domingo não muito ensolarado mas mais propício à prática do ténis para aproveitarem o bónus (a muito bons preços) da melhor forma possível. E é caso para dizer que os do Centre Court foram os menos “sortudos”.

No primeiro duelo do dia, a norte-americana Coco Vandeweghe fez uso das condições de jogo (que lhe eram mais favoráveis) para “surpreender” a italiana Roberta Vinci, com 6-3 e 6-4, e assim avançar para a quarta eliminatória. Não muito depois, em menos de uma hora, a “rainha” Serena Williams arrasou por completo Annika Beck, por 6-3 e 6-0, para somar o seu 300.º triunfo em provas do Grand Slam e fazer esquecer as dificuldades esquecidas no encontro frente a Christina McHale, no início da semana.

O equilíbrio só chegou ao court principal de Wimbledon já a fechar a jornada, com um Tomas Berdych consistente a negar a grande maioria das hipóteses a um cada vez mais em ascenção Alexander Zverev para vencer por 6-3, 6-4, 4-6 e 6-1. A vitória não exigiu níveis estratosféricos do checo, mas ainda assim o atual número 11 mundial fez questão de apelidar o jovem alemão de “futuro campeão de torneios do Grand Slam.” É um palpite relativamente seguro, se bem que nisto do ténis nada há de seguro.

O Court No. 1 era aquele em que recaiam maiores atenções, sobretudo em Portugal, mas o final de jornada acabou por ser pintado em tons cinza, desejados por ninguém. Jiri Vesely enfrentou um “congelado” João Sousa que não se conseguiu exibir ao nível das rondas anteriores e seguiu em frente em apenas três sets (6-2, 6-2, 7-5), como, aliás, tinha feito em todas as rondas.

Antes do vimaranense — que perdeu a oportunidade de melhorar ainda mais a sua melhor prestação de sempre em Wimbledon e de se tornar no primeiro português a chegar à quarta ronda de um torneio do Grand Slam –, já Svetlana Kuznetsova tinha derrotado Sloane Stephens, por 6-7(1), 6-2 e 8-6, num encontro em que venceu seis dos últimos sete jogos e terminou com um grande gesto (e abraço) de desportivismo da americana. Com o triunfo, Kuznetsova, uma muito conceituada jogadora que já foi número dois mas nunca se deu bem em relva, garantiu o regresso ao top 10 mundial pela primeira vez desde 2010.

O que Sousa falhou em fazer foi feito e muito bem pelo francês Jo-Wilfried Tsonga. O 12.º pré-designado do evento britânico entrou por baixo (literalmente) no encontro contra o “gigante” John Isner — que desespera por uma nova alcunha ao mesmo tempo que procura esquecer a derrota na maratona (não se pode ganhar sempre, e o duelo histórico com Mahut terá sempre um sabor inigualável) — mas “deu a volta” para chegar a um quinto set recheado de emoção. Emoção, sim, mas não breaks, ou, pelo menos, não antes das duas horas e quinze minutos de jogo… Só nesse parcial. A 17-17, depois de se defender de várias aberturas no seu saque — foi sempre Isner quem esteve mais perto de conseguir uma quebra, a primeira do parcial –, o Muhammad Ali lá conseguiu superar as bombas do americano. Depois, foi “só” fechar no seu próprio serviço… E assim o fez, com um verdadeiro “pontaço” ganho com um volley de esquerda meio improvisado que o deixou em posição vantajosa para celebrar — bem mais próximo dos adeptos do que quando lançava a bola ao ar para servir.

Tomar a decisão de programar jogos para o Middle Sunday pode não ter sido a mais fácil da história para a organização de Wimbledon, mas foi, certamente, a mais acertada. Afinal, a segunda-feira que se segue ao tradicional dia de descanso já é habitualmente apelidada de Manic Monday (por nela se disputarem todos os encontros dos oitavos de final de ambos os quadros), e jogos extra só contribuiriam para o caos. Se a isto se juntassem gotas de chuva “extra”…

Não houve descanso, não houve repouso para a relva ou tempo para “passear”. O calendário obrigou a um dia “extra” e agora a ação aperta ainda mais. A loucura de Wimbledon começa… Agora.

 

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